Grumpy

grumpyDois artigos no mesmo dia??? Xi, devo estar doente… Mais ou menos. Esta entrada nada mais é que um pequeno desabafo.

Quem me conhece e tem a sorte (ou azar) de lidar comigo mais de perto sabe que eu sou um pouco rabugento. Ok, um pouco é favor, bastante. E à medida que os anos vão passando a coisa vai ficando pior. Tenho um feitio bastante complicado e fervo em pouca água. Os trabalhos de madeira também me vieram ajudar nesse sentido, pois tem funcionado um pouco como uma forma de meditação. A minha oficina é o meu lugar Zen…

Tento ser uma pessoa calma e tento controlar o meu mau feitio, embora nem sempre o consiga. Como diz a Clara (e muitas outras pessoas), a minha primeira reacção ao conhecer novas pessoas costuma assustá-las. Como também não sou o mais belo exemplar de macho latino que anda por ai e não sigo modas, já podem imaginar o resultado; sou uma pessoa bastante solitária.

Mas atenção, gosto de ser assim e gosto de não ter uma agenda social muito preenchida. Tudo o que me tira de casa ou da minha solidão faz-me bastante confusão.

Quando comecei o Blogue nunca julguei que iria ter a dimensão que tem. Não sou famoso, longe disso, mas recebo bastantes comentários e ultimamente até pedidos de trabalhos, coisa que nunca julguei possível.

iStock_000009156985SmallTenho recebido alguns pedidos para trabalhos através de e-mail e podem imaginar a minha alegria. Uma coisa que começou como um hobby poder-se-ia transformar numa actividade (não muito) lucrativa. Mas tenhamos calma.

Continuo a pensar que sou um simples Aprendiz. Tenho muito para aprender e a minha técnica está longe de se aproximar a qualquer coisa aceitável. Tenho, isso sim, é uma vontade muito grande de aprender e de experimentar novas coisas.

Por isso mesmo, quando os pedidos começaram a entrar, pensei com muita calma se deveria seguir por esse caminho. Deveria aceitar esses trabalhos e cobrar dinheiro? Estaria à altura dos projectos que me propusessem?

Por precaução decidi aceitar um. Mas esse um era muito especial…

Um Noivo queria oferecer à Noiva uma Maquete da Torre Eiffel com dois metros de altura. Não me conhecia pessoalmente, apenas de ler o Blogue e mesmo assim decidiu tentar a sorte.

Ligou-me, falámos e combinamos um café. Foi uma conversa muito agradável e decidi aceitar o projecto. Podem imaginar como me senti; uma mistura de entusiasmo com medo polvilhado com pequenas doses de emoção e terror puro.

Decidi aceitar porque me apaixonei pelo projecto, pelo desafio. Porque ia-me obrigar a esticar os meus limites. Porque me ia obrigar a aprender e dominar novas técnicas.

1003306_3135955893626_1272419269_nE o resto será contado num artigo próprio…

Tal como a torre, já conclui outros e estou a trabalhar em mais uns quantos. Por essa razão tive de por de lado os meus próprios projectos. Mas sempre aceitei com várias condições, sendo as mais importantes, que tem de me dar prazer e constituir um desafio.

Ora chega a razão deste artigo.

Recebi um pedido para um trabalho que me deixou logo de pé atrás. Pedia qualidade, originalidade e… muito barato. Seria para uma placa, que afinal mais tarde se revelariam ser 5! Não dava grandes informações. Foi preciso uma troca de e-mails para conseguir um mínimo de detalhes.

Ainda estou para descobrir como chegou até mim… Não se apresentou, não me disse como tinha chegado a mim, nada. Disse logo que queria barato!

De imediato deu-me vontade de lhe dizer que não e enviar-lhe uma imagem que já partilhei no facebook;

fotoTenho de referir duas coisas no entanto; não sou um artista nem ia trabalhar de graça, mas trabalho no duro e odeio o “barato”.

Mas pronto, sejamos simpáticos e contemos até 10. Um, dois…

Em vez de explicar tudo num único e-mail, foi arrastando a conversa. Deu-me a entender que não sabia bem o que fazia, que era a primeira vez que encomendava um trabalho. Depois de lhe sacar as coisas a conta-gotas disse-me que afinal “Não iriam trabalhar comigo” porque a comunicação era muito “limitada”. Bom, demorou a perceber… Lá agradeci ao “Artista” não me escolherem e tentei explicar-lhe como deveria ter sido logo desde o início. Fiquei sem saber quem eram “eles” e que acharam do meu preço “especial” (chamado preço espanta-moscas). Mas fiquei a saber que encontraram uma boa alma que lhes vai fazer o trabalho baratinho e com qualidade🙂

Fiquei como o rabugento mal encarado da fita. Trabalhei muitos anos em profissões que me obrigaram a contactar serviços e cedo aprendi que quando se fala ou escreve a pedir informações ou orçamentos sobre bens ou serviços existe uma forma muito clara de se fazer a aproximação. Não se deve fazer perder tempo e devemos explicar de maneira clara o que pretendemos. Em negócios, aprendi cedo, tempo é dinheiro.

Conclusão:

Há trabalhos que prefiro não fazer e pronto. Não vivo desta arte nem ando atrás de clientes. A única pessoa que sinto obrigação de satisfazer e agradar e a mim próprio. Acima de tudo, quando aceito fazer algum trabalho, não é para perder tempo ou dinheiro!

Querem barato? Vão à Feira de Carcavelos. Querem perguntar por um trabalho? Por favor, antes de enviar e-mail saibam exactamente o que querem. Querem falar comigo directamente? Peçam o meu contacto que não mordo (apesar de não parecer, eu sei), não me mandem um numero de telemóvel à espera que eu telefone…

Desculpem se estou a ser indelicado ou directo, mas que sirva como “aviso à navegação”.

Para terminar, um livro que recomendo a quem realmente quiser fazer vida deste hobby:

9781440316401_p0_v1_s260x420Comprei no Ebay e foi uma compra que não me arrependo. Um óptimo livro para aprender a estabelecer preços do nosso trabalho e aprender um mínimo de como o mercado funciona. Embora esteja mais virado para o mercado Norte-Americano onde a realidade é outra, muitas das bases são aplicáveis à nossa realidade. E é um bom livro até para os clientes, para terem uma percepção mais clara de tudo o que envolve um trabalho de madeira (a maior parte das vezes não imaginam o que temos de fazer além de cortar a madeira).

E sim, tem uma explicação fabulosa para os chamados “preços espanta-moscas”😉

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Uma resposta a Grumpy

  1. nazare castelo diz:

    Olá, adorei, há possibilidade de fazer uma igual para o mesmo efeito? ??

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