Leituras, 1ª parte

Esta é a versão Portuguesa do artigo “Leituras, 1ª parte”. Para ler o artigo em Espanhol, por favor siga esta entrada.

Durante o encontro em Yeles, tive a oportunidade de conversar bastante com os meus amigos sobre trabalhos em madeira e sobre quem são actualmente as nossas referências neste campo. Vários nomes foram referidos mas um em particular sobressaiu; Christopher Schwarz.

Schwarz trabalhou durante bastantes anos como editor da revista “Popular Woodworking Magazine”, escreveu vários livros e fez vários vídeos sobre trabalhar madeira. Hoje em dia é editor convidado da mesma revista e mantem um blogue, onde continua o seu trabalho de divulgação desta arte. É também cofundador da editora de livros “Lost Art Press”, onde escreve e reedita livros sobre Marcenaria tradicional. É considerado por muitos amadores e profissionais como uma referência no que diz respeito a trabalhar a madeira. Dá formação básica e avançada nos Estados Unidos e nalguns países Europeus, onde ensina a forma tradicional de trabalhar a madeira com ferramentas manuais.

E começamos a falar nele porque o Luis levou com ele dois clássicos da literatura; o “The Anarchist´s tool Chest” e “The Joiner and Cabinet Maker”, embora este último seja mais uma actualização de um clássico escrito por um autor desconhecido em 1839. Por esta altura, quem me conhece sabe que sou um rato de biblioteca e adoro ler. E embora muitos defendam que certos ofícios (se não todos) requerem o máximo possível de práctica manual, eu defendo com unhas e dentes que para ser um bom profissional também devemos ter um mínimo de teoria, de conhecimento do como e porque se fazem as coisas da maneira que se fazem. A leitura de livros não nos vai transformar automaticamente em grandes mestres, mas vai-nos permitir ter outra perspetiva do ofício e da sua história e evolução.

Já tinha lido bastantes críticas ao livro “The Anarchist’s tool chest” e estava ansioso por poder ler o livro. Em conversa com o Luis, referiu-me que estava a ter alguma dificuldade em ler o livro, pois embora percebe-se Inglês, o livro estava escrito de maneira pouco formal e continha muitas palavras que não entendia, ou frases cujo contexto era pouco claro. O Inglês Norte-Americano é ligeiramente diferente do Inglês Britânico, tal como o Português falado em Portugal é ligeiramente diferente do Português falado no Brasil.

Outro problema era a nomenclatura das ferramentas. Embora a maior parte das ferramentas sejam familiares a quem trabalha a madeira, sempre existem nomes que variam pelo que ler um livro deste tipo implica ter à mão um glossário bilingue.

Surgiu então a ideia de traduzir o livro para Espanhol e já agora, para Português. Desta maneira poderá estar acessível a mais pessoas, e contribuir para uma maior divulgação da arte e ofício. Traduziria o livro e faria pequenas adaptações à nossa realidade onde necessário e depois as traduções seriam revistas por Marceneiros experientes. Iniciamos as conversações com a editora “Lost Art Press” que se mostrou muito interessada no projecto e coloquei mãos ao trabalho.

Mas, o que tem este livro de tão especial que mereça a atenção de tantas pessoas, e que nós consideremos que vale a pena o tempo e trabalho de tradução? Resolvi aproveitar e fazer um pequeno comentário ao livro para o dar a conhecer e quem sabe, aguçar o apetite a eventuais leitores.

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3 respostas a Leituras, 1ª parte

  1. Pingback: Lecturas, parte 1 | Coisas de um desocupado

  2. Francisco Fraústo diz:

    Boa Ricardo! Livros técnicos em português (de Portugal) são escassos. Mas atenção com as traduções: há tradutores que querem ter mais protagonismo do que o autor e metem a sua ‘colherada’ alterando o texto. Pode-se arranjar sinónimos para dar ênfase a alguma ideia, mas nunca alterar o texto!!!!!

    Teoria e prática andam sempre de mãos dadas. É impossível separá-los e não há uma das partes mais importante do que a outra. Ambas são terrivelmente essenciais!!!

    • Boa tarde Francisco.

      Foi exactamente por causa dessa falta de literatura que também me resolvi a avançar com esta tradução. É um desafio, a falta de outra palavra… Não só por causa dos nomes das ferramentas, mas também por causa da linguagem que o autor utiliza no livro. O autor foi um pouco criticado por escrever o livro da maneira como escreveu, muito pouco formal. Ser fiel ao sentido das frases, aos trocadilhos, aos duplos significados está a ser complicado. Costumamos dizer que o Português é traiçoeiro, mas o Inglês Norte-Americano não lhe fica atrás. Espero sinceramente conseguir transmitir o real significado do que o autor expressa.

      Estou em constante conversas com o autor, editora e outros artesãos da madeira para conseguir isso. Já fiz bastantes traduções, embora na área da medicina, enfermagem e pré-hospitalar e não se compara. Manuais 100% técnicos acabam por ser “a piece of cake”🙂

      Sempre me ensinaram que no mundo das traduções, o melhor texto é aquele em que não nos apercebemos da presença do tradutor. Devemos ficar a pensar que o autor fala e escreve fluentemente a nossa língua. O Tradutor deve ser um “Facilitador”, não um segundo autor da obra.

      Espero que o texto fique bom, que tanto o autor como os editores fiquem satisfeitos e que o livro possa vir a ser editado por cá, nem que seja em versão electrónica. E gostaria que fosse o primeiro de outros, que muita falta fazem.

      Um grande abraço.

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