Banco para cortar madeira

Tenho estado a estudar livros e artigos para poder escrever um artigo sobre serras manuais para madeira, mas parece que não consigo iniciá-lo. À quase três semanas que ando com apontamentos, livros, fotocópias e fotografias de trás para a frente, mas nunca passo das primeiras linhas. Acho que estou com um bloqueio de escritor…

Vou ser claro; gosto de aprofundar os meus conhecimentos teóricos antes de passar à prática, pois ajuda-me a perceber melhor todo o contexto dos trabalhos que executo. No que diz respeito à história das ferramentas, este estudo tem-se tornado viciante. Gostaria que o Blogue não fosse apenas um diário dos meus trabalhos, mas uma maneira de comunicar com outros e partilhar o que aprendo, por isso tento ponderar um pouco o que devo ou não colocar nos artigos. No caso das serras aconteceu o que mais temia: Falo ou não falo da história das serras? Aprofundo o tema ou toco-o apenas por alto? Coloco uns Links e deixo as pessoas escolher se desejam aprender mais ou faço um resumo em Português de toda a informação disponível (que está praticamente toda em Inglês)?

Quando comecei a recolher informação sobre a história das serras manuais para madeira pretendia fazer uma série de artigos sobre o tema, mas cheguei à conclusão que seria demasiado penoso para as pessoas (embora não para mim). Pelas estatísticas que recolhi no WordPress, as pessoas querem temas práticos e existe pouca relevância para temas teóricos pelo que decidi que apenas abordarei superficialmente a história. Se existir interesse pela tema da história das ferramentas de carpintaria e marcenaria posso fazer um “extra” aqui no Blogue.

Mas para falar sobre ditas serras preciso de uma ajuda essencial, um banco para serrar madeira.

Um banco de madeira (sawbench) é indispensável em qualquer oficina onde usemos ferramentas manuais. Para usar uma serra devemos adoptar uma postura correcta, que não conseguiremos se usarmos a mesa de trabalho. Falarei sobre a posição correcta de corte num artigo posterior, mas deixo aqui uma imagem que pode ajudar a perceber o porque do banco.

Por isso, e para que a explicação sobre serras e o seu uso tenha o máximo de informação e fotografias, decidi construir o meu próprio banco. Não tinha pensado já falar de uma construção específica, pois queria abordar mais junções, mas pareceu-me que o banco de serrar madeira é bastante básico, possui cortes simples e médios e vai-me permitir praticar bastantes técnicas.

Para o efeito, e no meio de centenas de desenhos de bancos de cortar madeira que podemos encontrar na Internet, escolhi um modelo bastante simples que encontrei no Site do “Lost Art Press“.

É um modelo bastante simples construído por Christopher Schwarz. Podem encontrar o artigo na revista “Popular Woodworking” seguindo este Link. Podem também descarregar o artigo em PDF neste Link. Pesquisando ainda mais, consegui encontrar no site “WKFinetools” as paginas referentes à construção do banco, passo a passo. São do mesmo modelo acima indicado, mas numa versão mais recente e melhorada. Visitem, leiam o artigo e se se animarem a construir o banco façam a descarga das instruções, seguindo o link no fim do artigo.

Já comecei a construção, mas depois entrarei em mais detalhe.

Entretanto continuam a surgir mais projectos. Mas agora urgentemente tenho de construir um Guilherme… Quando não há dinheiro para ferramentas construímos nós🙂

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15 respostas a Banco para cortar madeira

  1. José Mota diz:

    Muito obrigado por este seu trabalho. Aliás, já estava a estranhar pela ausência de notícias suas. Pe Continue p.f.

    Cunprimentos
    José Mota

  2. Francisco Fraústo diz:

    Olá Ricardo! Obrigado pelo post!

    Pois, de facto é complicado manter um blog interessante. É sempre duvidoso se aquilo que uma pessoa quer escrever é interessante para quem nos estejam a ler. Eu próprio tenho um blog e passo pela mesma dificuldade. Sobre o que escreveu que não queria que o blog fosse apenas um relato das suas experiências, eu penso que essa é uma boa forma de se aprender. E o Ricardo faz isso muito bem. É que, para ler teoria, a internet tem muita coisa, mas um relato de como se faz algo, não há muita coisa. E penso que ensinar ou transmitir seja o que for nada melhor do que recorrermos às nossas experiências passadas e presentes.

    Eu defendo que um blog é, sobretudo, algo para nos dar prazer. Portanto eu acharia correcto que escrevesse sobre a história das serras de cortar, da plaina ou do simples parafuso! Eu próprio estou a recolher fotos de todas as fases da construção da minha guitarra eléctrica para colocar no meu blog. Quem não gostar do que irei colocar, paciência! Não podemos agradar a toda a gente…

    1 abraço e força!

    • Obrigado Francisco. Mande o link para o seu Blogue para colocá-lo no site. Sigo um ou dois construtores de guitarras artesanais pois são conhecedores de técnicas bastantes raras e dotados de um talento extraordinário. Como eu digo, de uma liga completamente diferente… Adorava poder ler o seu blogue e acompanhar a construção da guitarra, pois sei que será um enorme desafio, cheio de recompensas.

      Sabe, só não quero maçar as pessoas, pois sei por experiência que quando começa a falar em história mergulho num mundo muito próprio😉 Quando estou com outras pessoas uma pisadela normalmente faz-me acordar do transe e voltar a ser um animal social, mas aqui no blogue é diferente.

      Um grande abraço.

  3. rvidalmolto diz:

    Hola Ricardo, te entiendo perfectamente, mi consejo es que escribas según te apetezca y no te crees compromisos mayores, pues no vives de ello. Llegará un momento que encontrarás el equilibrio y dejarás de obsesionarte en conseguir una perfección, o en aportar una abundancia de información quizá difícil de digerir para el gran público, entre el que yo me encuentro. Pienso que lo realmente interesante es saber transmitir una idea.

    Este artículo es breve, transmites una idea y dejas que el lector se documente libremente, eso sí aportando unos excelentes enlaces, donde poder consultar los interesados en su ejecución.

    Me ha gustado mucho. Con frecuencia los chistes cortos causan más impacto que los largos y son más fáciles de recordar.

    Muchas gracias RICO y… ¡A POR EL GUILHERME!

  4. Querido amigo te comprendo perfectamente, pues escribo muy poco porque quiero ser demasiado perfeccionista y casi nunca estoy satisfecho con ninguno de mis escasos artículos. Nos complicamos la vida tratando de transmitir una idea, pues tenemos temor a que no se nos entienda bien.
    Este artículo aunque breve me ha gustado mucho, transmites tu ilusión por un nuevo proyecto y además aportas excelentes enlaces donde documentarnos.
    Con frecuencia los chistes cortos impactan más que los largos y son más fáciles de recordar.

    ¡Ánimo RICO!
    Enhorabuena y … ¡Gracias por compartir!
    Un abrazo
    Ramón

  5. Muchas gracias Ramón.

    Te digo ya que no estoy satisfecho con el blog y si empezara de nuevo lo haría todo igual… de manera distinta jejejejejeje. No es que busque la perfección, pero un día me gustaría descubrir una manera mas eficaz de comunicarme, de escribir. Ya e intentado gravar uno o dos episodios en vídeo como aquellos que tanto nos gusta a nosotros ver, pero termino por desistir, pues no tengo porte ni figura y soy demasiado torpe para hablar y trabajar frente a una cámara.

    Me encanta tu Blog, tal como el de Julio pues tenéis el Dom de la palabra escrita. Me imagino que también tengáis un “pico de oro”, pero como no os conozco… Julio escribe como un poeta, juega con las palabras, parece que canta. Describe maravillosamente el trabajo, de manera que uno puede sentir que esta en su compañía. Tu Ramón, tienes una escrita preciosa, muy dirigida, muy detallada, donde se nota el rigor, la pesquisa, el cuidado en la transmisión del saber. No se si has leído algún libro de Roy Underhill (de Woodwright’s Shop), pero me recuerdas mucho a el escribiendo. Un placer!

    Con dos ejemplos como vosotros, muchas veces me pongo a pensar si hago bien en escribir. Gracias por todo Amigo Ramón. Un fuerte abrazo.

    • rvidalmolto diz:

      Buuuuuuuuuf! EXAGERADO!

      Muchas gracias RICO por compararme con Roy, Uuuuuuuuuuuuf! Aunque estoy a años luz de él, muchas gracias.

      Respecto a ti, eres muy modesto. Tu blog tiene un diseño muy cuidado, vamos se ve como un taller limpio y ordenado. No me atrevo a juzgar tu lenguaje pues no entiendo bien el portugués, pero me da que no te valoras lo suficiente. Tus artículos están muy bien estructurados, documentados y desarrollados, aunque es normal que te exijas más, beun síntoma. De todas formas yo suelo huir de perfeccionismos, pienso que las cosas imperfectas son más humanas y las contemplo como más de cerca, para mi tienen más vida.

      En cuanto a Julio, es único, es efectivamente un poeta y escribe desde lo más profundo de sus sentimientos y aunque él se autodenomina cono “El hombre que amó la madera”, yo creo que la sigue amando y la amará toda su vida.

      No seas tímido y enseña tus vídeos, seguro que son interesantes, ten en cuenta que… …

      no todos somos Gary Grant.

      Un abrazo

  6. Francisco Fraústo diz:

    Ricardo, o meu blog não é sobre lutheria (construção de guitarras), mas sim sobre rock, concertos e tudo o que envolva guitarras. Estou a relatar a construção, através de fotos, no meu facebook. Mas o meu blog é o riffdeorfeu.blogspot.com.

    A construção está parada por falta de material adequado. Tenho um amigo que é carpinteiro e ele está-me a orientar nalgumas coisas. Ele até me chegou a fazer uns cortes mais precisos, como por exemplo, retirar 2 ou 3 mm no contorno do corpo da guitarra: como não tenho serra de fita, tem que ser ele…

    Mas claro que já estou a preparar um texto, para ser escrito aos poucos, com os passos todos que já dei, como se fosse uma espécie de diário de construção… Depois irei colocar no blog! O Ricardo tem alguma experiência com velaturas e pistolas compressoras? Quero dar-lhe cor, mas não sei como e nem tenho local para o fazer…

    1 abraço!!

    • Boa tarde Francisco. Infelizmente pouca experiência tenho a nível de velaturas ou pistolas compressoras. Já utilizei velaturas em dois projectos, o que não me qualifica para falar sobre o assunto. Uma coisa as experiências me ensinaram: Testar sempre primeiro em madeiras similar à do projecto. Não é uma ciência exacta, mas acho que as principais variantes serão o tipo de madeira, qual o nível de coloração e de penetração que pretende e a paciência… Depois também deve contar com a temperatura, com a humidade, com o grau de acabamento que pretende,etc, etc. Descobri que o pinho precisa de pelo menos 4 a 5 demãos, intercaladas com lixa suave de 120 ou 240 para conseguir uma boa coloração. O acabamento final também deve ser tido em conta. Se usar verniz ou cera (os meus casos) deve aplicar mais ou menos velatura. Numa pequena placa com o nome da minha esposa, em pinho com velatura a nogueira, dei 5 demãos e depois várias aplicações de cera e ficou impressionante.

      A velatura deve ser aplicada com um paninho que não largue pelo, ou ainda melhor, com uma “boneca” de algodão. Como tenho muitas compressas e similares cá em casa faço da seguinte maneira: Abro uma compressa e coloco uma bola de algodão bem comprimida, do tamanho de 2 rebuçados do Dr. Bayard (acho que assim é mais fácil perceber a dimensão :-)). Fecho a compressa e humedeço muito bem na velatura. Não deixo escorrer demasiado. Aplico na madeira fazendo passagens suaves sem comprimir muito a boneca no sentido das fibras da madeira. Deixo a velatura assentar durante uns 5 a dez minutos e depois com um pano seco que não largue pelos (tenho muitas camisolas velhas sempre à mão) retiro o excesso da velatura. Se durante esses 5 a 10 minutos alguma zona ficar prematuramente seca, passo novamente a boneca humedecida. Deixo secar bem durante pelo menos 10 horas (dependendo da temperatura e humidade). Depois, lixo cuidadosamente com 240 e retiro TODA o pó resultante, primeiro com um pincel e depois com um paninho ligeiramente humedecido em álcool e repito todo o processo… Cuidado que a madeira deve estar muitíssimo bem limpa antes de colocar a velatura.

      Vi vários vídeos onde fazem isto com a pistola, mas não sei qual o resultado. Procure no youtube por “wood stain” e encontra muita informação. O local é a parte mais fácil; ao ar livre, sem sol directo e com muito ar fresco e nada por perto que se estrague😉. Cuidado com a pele que a velatura é danada!

      Vi uma coisa muito engraçada que se calhar pode achar interessante; em vez de velatura comercial, usar chá ou café! E não é parvoíce. Vou experimentar e depois partilho.

      Um grande abraço.

      • rvidalmolto diz:

        Excelente explicación Ricardo, por cierto me voy a comprar té y café.

        JAJAJAJAJAJA!!

        Un abrazo

      • Francisco Fraústo diz:

        Café?? Epá, essa nunca tinha ouvido! mas aí é que está a riqueza da internet, blogs e foruns: é a partilha! Não há limite para a imaginação… Supostamente tudo o que dê cor, servirá. O verdadeiro artista é aquele que se aventura nestas experiências. Na arte dos instrumentos musicais houve o célebre Stradivarius que também fez alguma maluqueira com os vernizes para dar tonalidade, alterando-lhe a acústica…

        Ricardo, obrigado pela elucidação que me deu sobe as velaturas e as bonecas de algodão. A mim disseram-me que uma boneca com desperdício é melhor, porque o algodão absorve muito produto e gasta-se mais… Seja como for, ainda me falta muita lima e lixa para chegar a essa parte. Mas estou a adorar!

        1 grande abraço!

  7. Francisco Fraústo diz:

    Espero que venha a gostar tanto de tocar nela como do processo de construção!! E espero que corra tudo bem. Por vezes hesito muito por medo de fazer asneira…

    1 abraço e obrigado pela força!

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