Mais uniões a meia madeira

Continuo com mais samblagens a meia madeira. Para hoje fiz mais quatro: Samblagem a meia madeira em “T”, samblagem a meia madeira em ângulo recto, samblagem a meia madeira oblíqua e samblagem a meia madeira em cauda de andorinha.

As ferramentas continuam as mesmas que no artigo anterior, tal como as varetas.

Começo sempre por marcar os cortes e a madeira que vai ser cortada. Como vai ser uma samblagem em forma de “T”, começo por cortar a peça vertical, pois será mais fácil marcar a peça horizontal usando esta como referência.

O método de corte é o mesmo de sempre. Começo sempre por serrar ao longo da espessura da peça, pois obtenho um maior apoio. Depois serro o rebaixe em função da largura que marquei.

Deixo aqui mais uma dica que encontrei noutro Blogue. Para iniciar o corte podemos usar o método dos cozinheiros: Colocamos a lâmina da serra no local e apoiamos os dentes com a unha. Seguidamente colocamos o nó do dedo na parte superior da lâmina e iniciamos o corte. Da próxima vez que virem um programa de cozinha na televisão reparem como os profissionais colocam os dedos ao cortar vegetais… Acho que vão perceber o que quero dizer. Com a prática, conseguem manter a serra completamente vertical e o corte sai bastante limpo.

Segundo corte feito, retiro as imperfeições. Podem fazer isto com papel de lixa, com uma lima para madeira ou com um formão muito bem afiado. Se quiserem praticar a sério usem o formão. Vão precisar de habituar-se a ele à medida que forem trabalhando.

Vamos então à segunda parte.

Colocamos a peça vertical sobre a peça horizontal e marcamos com o riscador (ou com o lápis) onde queremos executar o entalhe.

Para marcar a profundidade devemos usar o graminho ou o esquadro. Se aprofundarmos o entalhe, a união não ficará bem feita. Lembrem-se sempre de traçar tudo com cuidado.

Para retirar o material deste entalhe poderia usar o mesmo método que usei para a samblagem em forma de cruz, mas quero deixar outra sugestão. Iniciem por fazer o mesmo tipo de entalhes e serrem até à linha traçada pelo graminho.

Mas em vez de fazer mais cortes verticais, vou retirar madeira obliquamente. Primeiro do lado esquerdo,

e depois do lado direito.

Depois retiro do meio e repito o processo até chegar à profundidade desejada.

Novamente, limpem e acertem com o formão bem afiado e pronto.

Não ficou a 100% mas estamos a aprender🙂. Vamos ao próximo.

Na samblagem em ângulo recto não vou entrar em muito pormenor, pois vamos repetir exactamente o mesmo processo.

Traçar.

Cortar.

Acertar e limpar com o formão.

E temos a samblagem em ângulo recto. Parece mentira mas tive de repetir esta união várias vezes, pois cometia erros básicos. Sei que parecem fáceis, mas não se deixem enganar; é necessário precisão e mão firme. Um exemplo apenas dos erros que cometi:

Ao acertar o corte com o formão não respeitei o sentido das fibras da madeira. Mesmo com o formão afiado, levantei e quebrei uma quantas, resultando nesta falha “catastrófica”…

A seguir vamos à samblagem a meia madeira oblíqua. Trata-se de unir duas peças de madeira com um ligeiro ângulo. Não vou usei um ângulo específico…

Coloquei as peças num ângulo e marquei com o riscador.

Aprofundei ligeiramente a marca com o formão e fiz os entalhes,

marquei a profundidade com o graminho e os limites verticais como esquadro.

Depois é só executar vários cortes verticais e fazer os entalhes com o formão.

Não quis arriscar a profundidade total pelo que fui desbastando pouco a pouco até atingir a profundidade marcada pelo graminho. Como o corte das fibras era oblíquo, foi muito mais simples e rápido que nos casos anteriores.

Para marcar a segunda vareta foi só encaixar a primeira no sítio pretendido e marcar com o riscador. O corte foi feito segundo o mesmo método.

Agora é só encaixar. Tal como na sambladura em forma de cruz, esta deve encaixar perfeitamente com recurso a uma pequena pancada com o martelo de borracha.

Esta por acaso saiu bastante bem😉. Finalmente, a sambladura por cauda de andorinha.

Tal como as anteriores é a meia madeira pelo que começo por marcar e cortar ao longo da espessura.

Uma vez feito o rebaixe marco a “cauda de andorinha”. Sei que existem regras para calcular as dimensões, mas como só estou a praticar usei um cálculo muito simplista.

Como a vareta tem 20mm, retirei 5mm de cada lado. Fica assim com um estreitamento de 10mm que proporciona um bom suporte.

Fiz os cortes horizontais do pino com o serrote,

e depois retirei o excesso do pino com o formão.

Com o pino feito é altura de marcar o recesso.

Coloquei o pino e marquei o sítio pretendido com o riscador. Da próxima vez farei a marcação com um X-acto pois é preciso que o recesso fique bastante justo. Marquei a profundidade com o graminho e cortei com o serrote.

Retirei o excesso com o formão. E voila!

Não ficou como eu queria, pois devia ter ficado bem apertado. Preciso de bastante mais treino…

Estas são as 5 samblagens básicas que um Aprendiz deve começar a praticar.

Usu est optimum dominus.” Provérbio Latim.

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14 respostas a Mais uniões a meia madeira

  1. Me gusta Ricardo, me gusta.

    Me gusta como expones el tema, de forma clara y sencilla. Yo que soy un novato, agradezco ver que no siempre las cosas salen perfectas a la primera, da moral y anima. Muy bueno lo de la uña, lo pondré en práctica.

    Gracias por tu humildad, pues nos da confianza a los que empezamos, como en mi caso que soy un eterno aprendiz, pues practico poquísimo. Haces ver fácil lo que parece difícil.

    Si este post llegase a mucha gente, seguramente aumentaría el número de aficionados a la carpintería, pues la hace más accesible.

    Chicos y chicas, practicar, practicar y practicar, a mayor práctica, mayor destreza, no hay otro secreto.Tenemos suerte, contamos con un profesor que nos explica las técnicas de forma llana y sencilla.

    Muchas gracias RICO

    ¡¡BRAVO!!

    • João Pereira diz:

      Gostei muito. Está claro e bem documentado.
      Continua o bom trabalho.
      Abraço.
      João Pereira

    • Muchas gracias Ramón. Es para mi una alegría saber que algo bueno estoy haciendo. No se si será humildad, solo pongo las cosas como son. Espero un día poder volver a leer estos artículos y ver estas fotos y ver como aprendí y como fui mejorando poco a poco. Se que nunca llegaré a gran “artista”. Me tremen mucho las manos, soy muy impaciente y tengo la cabeza siempre en mil y un sitios. Si consigo hacer piezas bonitas y bien echas me quedaré contento. Lo que creo que importa es que las hago con mucho amor y cariño. Un fuerte abrazo y muchísimas gracias por la fuerza Ramón!

  2. Francisco Fraústo diz:

    Muito bom! Como diria o Mr Burns dos Simpsons: excellent!!
    Eu vi há uns tempos, uma peça em metal da Wolfcraft para servir de guia para este trabalho, mas para superfícies muito maiores, como por exemplo, uma gaveta. E acho que usaram a tupia para esse exemplo.
    Mas de qualquer das formas gostei muito do post! Bem estruturado e bem explicado, com as fotos a auxiliarem todo o processo. Mui bueno!!
    Obrigado e 1 abraço!!

    • Muito obrigado Francisco. Lá mais para a frente vou tentar falar um pouco das ferramentas eléctricas, mas à medida que o tempo passa vou ficando mais apaixonado com as manuais. A maior parte das técnicas pode ser feita 100% com ferramentas eléctricas como a tupia, mesa de corte (table saw) ou mesmo a serra de banda (band saw). Apenas uma questão de gostos. O que importa é fazer😉.

  3. ENRIQUE MARIO KOVACEVIC diz:

    M A E S T R A Z O Y M U Y B U E N O !!!!!

  4. Francisco Fraústo diz:

    Serra de banda acho que também se pode chamar de serra de fita, não? Adorava ter uma coisa dessas, mas uma pessoa não pode, não deve e não tem espaço pata ter uma coisa dessas…

    Aproveito para dizer (sem ganhar nada pela publicidade; e sei que o Ricardo não gosta da loja em questão) mas o AKI está a ter umas promoções muito boas. Ontem vi um berbequim de coluna (não são aqueles para encaixar o berbequim eléctrico) por 60 euros… Não posso ir ao AKI ver ferramentas….

    1 abraço!

    • Pois é Francisco, o mal é comum. Também evito ver muitas ferramentas senão fico meio deprimido😉. O AKI tinha uma promoção à uns tempos de um berbequim de coluna, mas desisti pois não me pareceu muito bom. Esteja de olhos nas promoções pois de vez em quando aparecem umas surpresas agradáveis.

      A serra de banda cá em Portugal é mais conhecida por serra de fita, tem toda a razão. Acho que traduzi sem pensar. No Max Mat de Braga tinham uma pequena da Heinhell que me deixou de água na boca. Era mesmo boa para espaços pequenos.

      Um grande abraço.

  5. Que espectáculo Francisco. Procurei e digo-lhe sinceramente, babei-me todo🙂. Que maravilha de torno! Acho que me converteu…

    Um amigo Argentino do Facebook fez um torno de este estilo e também ficou óptimo. Se quiser posso indicar-lhe quem é e tenho a certeza absoluta que ele lhe explica todos os passos. Alias, ele explicou bastante bem, passo a passo como o fez.

    Um abraço.

  6. Francisco Fraústo diz:

    Eheh!! Gostava de fazer um desses, sem dúvida! Eu tenho um amigo que é carpinteiro. Vou-lhe mostrar primeiro para ver se é viável a construção… Se ele não me puder ajudar, eu depois peço-lhe o contacto desse seu amigo argentino. Mas… o meu castelhano não é grande coisa… a falar ainda me posso desenracar, mas escrever….

    Mas obrigado! Depois digo o que disse o meu amigo!

  7. Retirei o excesso com o formão. E voila!

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