Mil e uma formas para aprender, primeira parte.

Vamos lá tentar arranjar um plano simples para aprender o básico nos trabalhos de madeira.

Talvez o primeiro que temos de decidir, é que tipo de trabalhos aspiramos a fazer. Se só quisermos usar ferramentas eléctricas e fazer projectos de bricolage simples, não vale a pena estar a treinar todos os tipos de samblagens, aprender a dominar uma serra de costas ou os fundamentos da talha com formões. Mas se quisermos trabalhar manualmente, teremos obrigatoriamente de dominar as samblagens, saber aparelhar peças, dominar o afiamento e o assentamento de fio em ferramentas cortantes, ALÉM de conhecer e saber usar a maioria das ferramentas eléctricas. Mas para ambos, devemos adquirir um mínimo de conhecimentos, que nos permitam perceber o que queremos fazer, como escolher o melhor método de trabalho, e o mais importante, como trabalhar com o máximo de segurança. Em todos os casos, é necessário uma base.

Vou tentar explicar o porque de pensar assim: Durante muitos anos fui tripulante de ambulância e formador de socorrismo. Embora sempre tenha defendido a introdução das novas tecnologias na formação e nas ambulâncias, sempre acreditei que para saber socorrer deveríamos explicar aos futuros socorristas as bases fundamentais da anatomia e fisiologia, e que antes de começar a explicar o funcionamento e uso de maquinas de suporte, o socorrista deveria dominar e entender as manobras básicas MANUAIS e perceber como e porque funcionam.

Vou dar um exemplo. Está mais que provado que um Desfibrilador Automático Externo salva vidas, mas também está provado que antes e depois da desfibrilhação, as compressões cardíacas externas aumentam em flecha as hipóteses de sobrevivência da vítima. Da mesma maneira, temos de perceber que o DAE não é a máquina maravilhosa que muitos nos querem “vender”. Para utilizar um DAE a primeira coisa que se aprende é que… não é para todas as situações de paragem cardíaca.

Quem fala do DAE pode falar de muitas outros dispositivos que hoje encontramos no interior das ambulâncias. Quantos socorristas encontro hoje em dia que se gabam de ter este e aquele curso de XPTO mas quando falamos de coisas simples e básicas ficam mudos? Muitas vezes fui mal interpretado por chefias e direcções quando queriam ambulâncias recheadas de equipamentos ultra modernos e eu dizia que era um desperdício de dinheiro. De que vale ter uma árvore de natal com rodas se ninguém sabe como se ligam as luzes? Fazer tinoni todos sabem, salvar vidas é outra história. Tive um professor que me disse que preferiria ser socorrido por uma equipa disciplinada, atenta e bem formada, equipada apenas com um lenço triangular numa carroça puxada por bois, do que por uma equipa de bois a conduzir o ultimo modelo de bloco cirúrgico com rodas.

Uma vez explicada a minha linha de pensamento, acho que devo deixar uma coisa bem clara: quem segue o blogue (????) sabe que sou um aprendiz. Os meus conhecimentos de Carpintaria e Marcenaria são praticamente nulos. O que sei e vou aprendendo é através da Internet, das conversas com amigos e da pratica que vou adquirindo nos pequenos projectos que faço. Isto é apenas um exercício mental, um plano desenhado POR mim, PARA mim. Se funcionar sou um génio. Se não funcionar… a culpa é do vizinho que ressona!

Se não percebo, então onde vou buscar a informação?

Existem mil e uma maneiras de encontrar o que pretendemos. Como formador, fui imediatamente ao site da Agência Nacional de Qualificações, e no catálogo procurei os referenciais de formação para Carpinteiro, Carpinteiro de limpos e Marceneiro.

Outra maneira é procurar formações existentes no mercado e ver os programas que oferecem. Temos o exemplo do Instituto de Artes e Ofícios da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva . O Curso de Artes e Ofícios da Madeira é tentador… Já agora, passem pelos Cursos Livres e vejam. 400 Euros por 50 horas de formação é uma autêntica pechincha, posso garantir-vos. A formação é das melhores da Europa e é uma instituição de referência internacional. Quem sabe quando arranjar trabalho não consigo pôr uns euros de lado e para o ano que vem ir passear a Lisboa😉. E porque procurar só em Portugal? Espanha, França, EUA, etc. Basta saber procurar e encontrarão mais informação sobre formação nesta área daquela que alguma vez poderão assimilar.

Uma boa alternativa é procurar nos livros da especialidade. Hoje em dia temos muitos livros do género “DIY” (Do It Yourself) e se lerem um bocado, os relacionados com o “Woodworking” em geral, tem quase todos a mesma estrutura. Seguem uma lógica que ajuda o principiante a ir do mais básico ao mais avançado, sempre por fases.

Muitos deles acabam por tornar-se manuais de apoio aos cursos livres ou profissionais. Temos no entanto alguns problemas. São caros, não os encontramos em Portugal e estão escritos em Inglês (a maioria). Tenho no entanto uma alternativa barata, rápida e legal. Os livros antigos que estão fora de impressão e que circulam livres de direitos de autor, podendo ser distribuídos e impressos para uso próprio (não comercial). Naturalmente temos o problema da língua, visto o Inglês ser a língua dominante. Sorry😦.

Existem centenas deles por onde escolher. Dos que conheço, já li e utilizo estes 5 para aprender no meu dia a dia:

Woodwork Joints

Exercices in Woodworking

Handwork in Wood

Handbook of Wood engraving

Essentials of Woodworking

Não serão os melhores, mas daqueles que pude ler, são aqueles que melhor compreendi e melhor se adaptam ao meu estilo. Também me agrada o facto de serem livros dedicados 100% ao trabalho manual. Alguns já contam com “novidades”, máquinas maravilhosas que prometem avançar o trabalho e facilitar as tarefas rotineiras, mas são essencialmente manuais de treino. Muitos foram escritos por professores e mestres para escolas e faculdades da época, pelo que os seus ensinamentos, embora bastante afastados no tempo, se mantém extremamente actuais para quem deseja aprender a arte. É claro que existem muitos outros livros sobre madeira, como Carpintaria geral, estilo de móveis, talha, etc. Para todos os gostos…

Podem encontrá-los em vários sítios, mas deixo três locais:

Project Gutenberg

Google eBooks

WK FineTools.com

Este ultimo site tem a melhor e maior colecção de livros antigos disponíveis para descarregar em PDF. Basta seguir o link para “Master’s library”. Não coloco o link directo pois gostaria que visitassem o site e apreciassem a qualidade da informação e do trabalho que lá se encontra disponível. Um site que merece estar nos favoritos de qualquer “Woodworker”, amador ou profissional.

Amanhã continuo.

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4 respostas a Mil e uma formas para aprender, primeira parte.

  1. Bravo con tu primera lección. Ya nos has concienciado a los alumnos de que antes de empezar a trabajar hay que adquirir conocimiento previos. Así lo has demostrado con el ejemplo de los primeros auxilios. El tema links también me ha gustado, es la respuesta inmediata a ¿qué es ésto? o ¿quién es ése?. La bibliografía es muy importante como fuente de consulta, te agradezco las direcciones de la páginas, buscaré por medio de ellas libros interesantes y por qué no, ¡libros gratis!

    Muchas gracias Ricardo

    • Gracias Ramón.

      No te olvides que estoy pensando en mi con este “curso”. Nunca en mi vida me atrevería a intentar organizar un curso de algo que no conozco en profundidad. Seria una… blasfemia! Después de empezar pensé en compartir con los demás la manera como estoy haciendo, pero como e dicho, no sé si es mejor o peor, apenas funciona para mi.

      Me encantaría escuchar vuestras ideas y opiniones, pues sé que muchas cosas me faltaran. Ya voy un poquito mas avanzado y ahora intento poner el blog en día, para que podáis ver como avanzo y Vosotros, que sois mis Maestros, me podáis ayudar a corregir mis fallos.

      Un fuerte abrazo con mucha amistad🙂

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