Aprender, nunca parar de aprender.

Continuo a minha aprendizagem no mundo da madeira. Depois de ter feito alguns trabalhos simples resolvi voltar ao básico da Carpintaria e da Marcenaria.

Embora as maquinas sejam uma grande ajuda, para um principiante ou para um experto, existiam pequenas coisas que me incomodavam. Apesar de já conseguir fazer um furo direito, ou usar a serra circular sem grandes desvios ou mesmo usar a tupia sem queimar a madeira, as coisas mais simples passaram-me um pouco ao lado. Como fazer um simples malhete, como cortar a direito com a serra sem grandes desvios, como usar uma plaina ou um formão, como afiar uma ferramenta?

Se bem que já falei disso aqui no blogue, este pensamento tem-me acompanhado diariamente com bastante força. Talvez a causa tenha sido o Natal, ou melhor, a prenda de Natal da Clara; uns formões.

Antes do Natal a Clara perguntou-me o que é que eu queria, e como já os tinha debaixo de olho, a escolha foi simples. Os formões não são “topo de gama”, mas são muito bons. São fabricados em Sheffield, Inglaterra, uma cidade bastante conhecida pela qualidade do ferro e aço e dos seus métodos de fabrico. Aliás, durante bastante tempo, a região foi uma das maiores exportadoras de ferramentas e utensílios de ferro para Carpinteiros e Marceneiros em todo o mundo.

Fabricadas pela Stanley em aço A2, são o modelo “Bailey“, próprio para marcenaria, talha e escultura. Melhores só a linha “Sweetheart“, mas não a encontrei por cá. Mas o melhor disto tudo é o preço. Uma média de 10 Euros por formão! Vem afiados de fábrica, característica que só se costuma encontrar em certas marcas como a Veritas ou a Lie-Nielsen. Não terão ainda o melhor fio para trabalhar, mas até agora não as afiei e já provaram o seu valor. Até tenho medo quando estiverem bem preparadas😉.

Ter os formões e trabalhar com eles num simples projecto fez-me, como dizia, reavaliar todo o trabalho que fiz e que quero fazer. Tenho finalmente uma boa ferramenta, mas será que a sei utilizar correctamente? Será que mereço esta qualidade?

Fiz esta pequena placa para a Clara como prenda de dia de Reis. Uma talha simples em madeira de pinho com uma velatura de nogueira e polida a cera. Embora tenha ficado bonita, fiquei bastante triste com o resultado final. Naturalmente não soube utilizar o potencial dos formões.

Decidi então parar e voltar ao princípio. Já que não encontro quem me ensine, vou utilizar os meus conhecimentos como Formador e traçar um plano de estudo para seguir.

O plano é simples. Fui ao site do Instituto de Emprego e Formação Profissional e descarreguei os referenciais de formação para os cursos de Carpintaria e Marcenaria. Adaptei-o à minha realidade, ou seja, estudar sozinho, aprender sozinho, praticar sozinho. Material formativo não falta na Internet pelo que manuais de estudo foram fáceis de arranjar. Como não queria descarregar livros de forma ilegal, procurei no “Google Books” e no “Project Gutemberg” e encontrei bastantes livros antigos gratuitos em Inglês e Castelhano. Como o meu interesse é aprender a trabalhar manualmente, estes livros são perfeitos.

As ferramentas já as vou tendo, pouco a pouco. As que não tenho, vou fazendo ou então, vou juntando dinheiro e tendo paciência… Um exemplo é o graminho. Como é possível que uma ferramenta de medição e marcação tão importante como o graminho não exista à venda nesta cidade? Pois bem, onde alguns vêm um problema, eu vejo uma oportunidade… de aprender e criar.

E o melhor de tudo… funciona na perfeição!

Mas para as primeiras “sessões” tenho todo o material necessário.

Sei que não vai ser fácil e que muita gente não concorda com este tipo de abordagem, mas depois da pensar bastante cheguei à conclusão que, para mim, esta é a abordagem que faz mais sentido. No próximo artigo explicarei melhor.

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6 respostas a Aprender, nunca parar de aprender.

  1. João Pereira diz:

    Boa Tarde.
    Acho que vou seguir o seu plano de estudo.
    O Graminho está excelente. Já pensei em fazer um mas não tenho coluna para furar, nem máquina que assegure que o furo quadrado fica perpendicular à superfície.
    Você disse que me enviaria um mail com sites onde se aprende carpintaria e marcenaria. Quando puder agradecia que enviasse. O meu mail é joao.m.pereira@sapo.pt
    Grande abraço
    João Pereira

    • João:

      Segue ainda hoje alguma informação pelo mail para que possa dar uma vista de olhos. Não sei se reparou mas apenas tenho um acessório para colocar o berbequim. Comprei no Lidl por 15 Euros e não é grande coisa, mas sempre ajuda um pouco. Deve é dar aqueles “descontos” por causa das vibrações e da qualidade de construção.

      Mas se esse é o problema, não se preocupe. O furo para o graminho pode ser feito apenas com o berbequim, sem grande ajuda pois o grosso do trabalho é feito com o formão, e ai sim, precisa ir com calma e cuidado. Se quiser, terei o maior gosto em oferecer-lhe o suporte caso não o encontre, pois por agora não o vou precisar. Durante os próximos tempos vou dedicar-me ao trabalho manual😉.

      Um grande abraço.

  2. José Mota diz:

    Muito boa-noite.
    Ora bem que o caro amigo aparece, eu que até andava um pouco curioso devido ao facto de não ter recebido notícias suas. Como o você, eu tenho tido a oportunidade de aprimorar este nobre trabalho tanto quanto tenho podido e, ao mesmo tempo, satisfazer um bocadinho este meu vício de trabalhar e mexer em madeira, sentir o seu cheiro, etc. – é mesmo assim que eu o acho, um vício, no bom sentido, é claro – e vai daí construí uma estante de canto para a minha sala. Usei placas de lamelado com dois metros de comprimento e cinquenta centímetros de largura, dezoito milímetros de espessura, madeira de pinho, que aqui há uns tempos comprei no Leroy Merlin a onze e picos euros. O móvel possui na parte inferior duas portas, em diagonal, simétricas, solução que eu encontrei no momento para fazer face à falta de matéria-prima, uma vez que assim aproveitei o que foi sobejando dos cortes das partes laterais da estante, já que a partir de um terço da sua altura, ela é estreitada até uma cota de cerca de 20 centímetros, no topo. Depois, apliquei-lhe duas demãos de esmalte acrílico aguado, de cor branca, para servir como velatura; completei o serviço com a aplicação de uma demão do verniz que tinha na altura, um sintético incolor, acetinado, embora eu preferisse um da bondex, acrilico, para soalhos, mas que é muito resistente, como já tive o ensejo de testemunhar noutras situações. Não ficou muito mal, embora o cheiro característico do sintético teime em desaparecer por completo. Espero em breve mostrar-lhe através do facebook, ou um outro meio, via Net, que achar adequado. .Entretanto, lá eu vou a seguir ao Lumberjocks……
    Cumprimentos do seu correligionário

    Até sempre

    • Amigo Mota:

      Obrigado por ter passado por cá😉. Não vou mentir e dizer que não tenho tido tempo, pois tempo não me falta ultimamente, mas tem-me é faltado a vontade de escrever no Blogue. O trabalho custa a aparecer e o desanimo acaba por instalar-se. Espero que se resolva rapidamente e entretanto vou tentar ser um pouco mais assíduo por cá.

      Fico contente que tenha terminado o móvel. Estou bastante curioso por vê-lo. Essa característica do cheiro… bom, até agora não tenho tido muitos problemas nessa área. Não sei se haverá maneira de disfarçar ou mascarar o cheiro, caso continue durante muito tempo. Já tinha lido comentários do género, mas por acaso ainda nunca li alguém a propor uma solução eficaz. Tem conta no LumberJocks? Se tiver, quero ver se o encontro, pois seria uma óptima maneira de ver os seus trabalhos. Pode sempre mandar um mail com uma fotografia😉.

      Um grande abraço;

      Ricardo

  3. Ricardo has tenido una idea estupenda y te deseo mucho éxito. Seguiré tus lecciones. El gramil te ha quedado de cine.

    Un abrazo

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