Colocar cravos na estante 1

Depois de várias experiências, finalmente decidi que vou usar os cravos para fazer as juntas da madeira. Procurei na Net, ouvi os meus amigos e testei as várias soluções. Mas duas prevaleceram, os cravos e os pregos. Ambas resultam bastante bem, conferindo à madeira uma forte junção.

Experimentei os pregos várias vezes. É um método bastante simples de fazer. Em primeiro lugar à que marcar as madeiras, ou seja, decidir onde e quantos pregos queremos colocar.

Agora basta pregar os pregos na face da madeira. Temos de ter cuidado com a profundidade. Não pode ser demasiado profundo pois podemos trespassar a madeira e estragar o trabalho. Com os pregos no sítio, cortam-se as cabeças. Pode-se utilizar um alicate, mas eu usei a Dremel. Aproveitei e afiei um pouco os pregos para entrar melhor na madeira.

Depois é só alinhar a tábua que queremos unir e alinhar com a ajuda de um pedaço de madeira ou, no meu caso, com a ajuda do esquadro. Com a marreta e um pedaço de madeira solto, vamos batendo no topo da tábua até o canto da tábua chegar à face e a junta ficar feita.

Com o esquadro confirmamos que a junta ficou em ângulo de 90 graus e pronto.

Como disse é um método fácil e barato de fazer juntas simples. O resultado é bastante satisfatório. Para desfazer a união tive que fazer muita força e dar umas pancadas muito fortes com a marreta. Se pusermos cola de carpinteiro a união ficará um pouco mais estável, mas acho que não fará grande diferença, pois o aglomerado vai absorver praticamente toda a cola para o interior. Este problema pode ser solucionado de duas maneiras; ou aplicando várias capas de cola até esta formar uma película que ajude a saturar as partículas do aglomerado, ou aumentando o número de pregos.

Em relação aos pregos, podemos tentar várias medidas diferentes, tanto em tamanho como em grossura até encontrar uns que consigam uma união que nos satisfaça. No entanto acho que é preciso cuidado pois ao juntar as madeiras não sei até que ponto os pregos ficam fixos na madeira de base, podendo trespassa-la.

A seguir tentei os famosos cravos. É engraçado que existem inúmeros nomes para estes pequenos pedacinhos de madeira. Desde a escola que os conheço como cravos, mas basta uma consulta na Net para descobrir que também são conhecidos como cavilhas, pinos, tarugos ou tacos. Como cravos não os encontrei… engraçado.

A colocação destes em teoria é bastante simples. Com a ajuda de um berbequim fazemos dois furos, um na face da madeira que vai servir de base e outro no canto da madeira que vai fazer o ângulo. Depois é só colocar o cravo e juntar os dois.

Sabem o que vos digo?

Pronto, não digo que seja assim tão difícil, mas também não é tão fácil e simples como algumas pessoas nos querem fazer crer. Para criar uma junção eficaz e bonita é preciso alguma perfeição. Não é só fazer os tais furos e pronto. E se não, vejamos passo a passo a minha primeira tentativa:

O material necessário:

Um berbequim, uma marreta, um lápis, uma broca de madeira de tamanho adequado e cravos. Para garantir que os furos estão em ângulo convêm terem um esquadro, mas se não tiverem podem usar um pedaço de madeira que saibam que tem um ângulo de 90 graus ou outro objecto (livro, caixa, telemóvel…).

Mas vamos falar dos cravos um pouco mais. Os cravos são usados para juntar madeiras desde tempos muito antigos. Tanto os Vikings como os Egípcios usavam esta técnica. O cravo tem essencialmente duas funções: a primeira é proporcionar uma união estável entre duas peças de madeira e a segunda é constituir um sistema relativamente fácil de montagem das mesmas. Podemos encontrar vários tipos de cravos hoje em dia sendo no entanto os mais comuns os que possuem ranhuras ao longo do comprimento,

os que tem ranhuras em espiral,

e os lisos.

Estes últimos costumam ser vendidos em varetas de um metro e depois cortados conforme as necessidades específicas do trabalho. Embora esta seja a escolha mais barata, poderá não ser a melhor, pois ao serem lisos não possuem bastante superfície para que a cola adira. Temos que pensar que quando furamos a madeira, o furo vai ser ocupado quase na totalidade pelo cravo, pelo que a cola não vai ter muita aderência nos lados lisos, apenas nos topos. Por essa razão, as ranhuras vão permitir que a cola esteja em contacto entre o cravo e a madeira. Os mais usuais serão os cravos com ranhuras ao longo do comprimento e podem ser encontrados normalmente em diâmetros de 6mm, 8mm, 10mm e 12mm.

De acordo com os entendidos na matéria, até uma grossura de 20mm, o diâmetro do cravo será pelo menos igual a metade da espessura. Para grossuras superiores às assinaladas basta que correspondam apenas a um terço da largura.

Existe ainda outra situação à qual deveremos prestar a maior atenção; a perfuração em profundidade deverá ter cerca de 5mm mais do que o comprimento do cravo para conseguirmos uma colagem certa. Temos que considerar sempre que as partículas de madeira provocadas pela perfuração e a cola devem poder ser bem comprimidas quando da penetração do cravo.

Para furar temos então de escolher o cravo apropriado. Neste caso, como o aglomerado tem 1,9cm escolhi os cravos de 8mm. A broca, naturalmente é uma de madeira com 8mm.

Para não errar na profundidade nada melhor que usar um método para marcar a broca. Encontrei vários. O mais simples é usar fita adesiva e colocar em forma de bandeira na profundidade desejada. Outra será enrolar a fita completamente.

Outra forma mais avançada é usar um bocado de madeira cortado à medida desejada e colocar junto à broca. Quando o berbequim bater na madeira significa que está na profundidade desejada. Esta maneira serve também como guia para manter a broca completamente vertical.

Também usando madeira, podemos cortar um bocado de madeira com a medida pretendida e furar através do mesmo. Depois é só furar.

Mas o melhor que encontrei, e talvez o mais seguro e exacto é usar um “parador de profundidade”. É basicamente uma anilha que é colocada na broca e fixa com um pequeno parafuso de rosca e uma chave sextavada.

Este é o modelo mais usual. Já tinha usado noutras ocasiões mas sinceramente não gosto pois ficam seguras por um pino pequeno de rosca apertado pela chave sextavada. Só que temos que acertar esse pequeno pino com rosca da broca senão não prende correctamente. Outro problema é que após vários usos o interior do pino fica moído e deixamos de conseguir aperta-lo com a chave. Por essas razões uso este modelo.

Este modelo não tem pino. Tem um parafuso e uma porca. O aperto é conseguido juntando as duas partes e apertando-as à volta da broca. É muito mais resistente e fixa muito melhor. O resultado final permite furar sem enganos.

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7 respostas a Colocar cravos na estante 1

  1. malanbu diz:

    Muito bom. no entanto não descreve a técnica
    utilizada para marcar os locais onde iremos fazer os furos para os pinos.

  2. Boa tarde Malanbu.

    Tem toda a razão… Por alguma razão que não me lembro esqueci-me completamente de explicar esse passo. As minhas desculpas. Mais tarde noutro artigo voltei a tocar o tema e expliquei como coloquei os cravos, ou pinos usando um pequeno acessório, embora não seja obrigatório o seu uso. Pode encontrá-lo na seguinte ligação:

    https://santanna620.wordpress.com/2011/10/31/continuando-o-banquinho/

    Muito obrigado pelo comentário e pela visita🙂

  3. malanbu diz:

    Muito obrigado pela rápida resposta, parabéns pelo blogue, muito bom.

  4. sergio diz:

    Muito didáticas úteis suas dicas. Era o que precisava neste momento. sou principiante.

  5. Orlando Silva diz:

    Bom dia Ricardo,

    O meu nome é Orlando, vivo em Lisboa e sou informático.
    Por força de um infortúnio da minha vida, passei a dar atenção aos trabalhos em madeira e sinto que despertou em mim uma paixão desconhecida.
    Lamechices à parte ao ler este post fiquei com uma dúvida.
    Quando diz

    “Existe ainda outra situação à qual deveremos prestar a maior atenção; a perfuração em profundidade deverá ter cerca de 5mm mais do que o comprimento do cravo para conseguirmos uma colagem certa”

    Ora se o cravo (eu conheço como bucha de madeira – a menos que me tenham enganado🙂 )tem de ficar com uma parte visível para encaixar na outra madeira que vai ser unida, não deveríamos estar a ler …cerca de 5mm a menos que o comprimento do cravo…?

    Agradeço-lhe imenso se me puder esclarecer esta dúvida.

    Um abraço… e que não fique desocupado por muito tempo.

    Orlando Silva

    • Boa tarde Orlando.

      As minhas desculpas pelo super atraso na resposta. Tal como referi, devo ter andado a brincar com os ajustes do Blogue porque recebo uns comentários e outros não. Estou agora a responder a muitos que só agora vi…😦

      Espero ainda ir a tempo…

      Sim, pode chamar ao cravo bucha de madeira😉 Felizmente ou infelizmente os nomes variam de local para local. Se já de um pais para outro é complicado, basta passar de uma região para outra para acontecer o mesmo.

      Tem toda a razão quando diz que o cravo tem de ficar com largura suficiênte para que a outra peça seja encaixada. Quando refiro mais 5mm refiro aos furos a fazer nas peças que quer unir;

      Imaginemos a bucha como tendo… 5cm de comprimento. O sentido comun diz-nos para fazer um buraco de 2,5cm em cada lado da madeira para que a bucha fique bem ajustada. No entanto devemos lembrar-nos da cola (caso a queiramos usar). Se o buraco for feito exactamente à medida, a cola vai acabar por “esguichar” para fora ao juntar as duas peças, uma vez que não vai ter zona de expansão. Por isso devemos sempre aprofundar o buraco ligeiramente, para permitir que no fundo exista sempre um pequeno espaço onde a cola possa ficar e actuar sobre as duas zonas de contacto (fundo do buraco – cabeça da bucha).

      Também nesse sentido, convêm usar buchas que não sejam completamente lisas, ou seja, com estria, para que a cola possa penetrar ligeiramente e assegurar uma maior zona de contacto da cola com ambas as madeiras.

      No caso de não querer colar, pode então usar buchas não estriadas e com o comprimento certo, uma vez que a fixação tem como objectivo uma fixação temporária.

      O buraco esse tem de ser pelo menos, sempre, metade do comprimento da bucha para cada lado ou corre o risco da união não ficar faceada.

      Espero ter conseguido explicar.

      Muito obrigado e um grande abraço.

      Cumprimentos;

      Ricardo

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