Dia 1 da construção – 2ª parte

Estava à procura de uma tradução para a palavra inglesa “JIG”, mas infelizmente não encontrei. Se for à Wikipédia e ler a descrição, poderia traduzir a palavra como “um tipo de ferramenta usada para controlar a localização e / ou movimento de outra ferramenta. A finalidade principal desta ferramenta é oferecer repetibilidade, precisão e equivalência na fabricação de produtos.” Poderia na minha ignorância neste assunto dizer que estas “ajudas”, pelo menos no que respeita a trabalhos com a madeira, podem ter duas origens, uma comercial e outra artesanal. Como exemplo das comerciais posso falar da “Kreg”.

É utilizada para fazer os buracos na madeira quando não queremos fazer juntas complicadas. Com o berbequim, usamos uma broca adaptada e fazemos os “pocket holes” nas duas tábuas. A seguir usamos uns parafusos de madeira especiais e temos uma junta simples, ou “butt joint”.

É simples e consegue resultados garantidos a nível de qualidade e precisão. Outro exemplo comercial é a caixa de serrar ângulos que já falei aqui.

Como exemplo de uma “ajuda” artesanal está a tábua de corte que fiz e estou a utilizar ou uma “shooting board”.

Uma “shooting board” consiste basicamente numa tábua de madeira, com duas pequenas tábuas paralelas, uma em cima e outra em baixo em ângulo de 90 graus, seguras em lados opostos por parafusos ou pregos. A de baixo serve para a manter segura na bancada de trabalho e a de cima serve para manter a peça de madeira a trabalhar segura e evitar que deslize. É usada para aplainar ou para efectuar pequenos cortes de precisão em ângulos de 90 graus. Foi a primeira peça que fiz quando comecei a trabalhar com madeira.

Acho que não errarei se disser que todas as “Jigs” comerciais que hoje existem nasceram de invenções individuas de carpinteiros que procuravam maneiras de executar um trabalho em concreto. Acho engraçado que por cada uma destas “jigs” comerciais, encontramos na net planos e esquemas para as construirmos de modo artesanal que servem igual ou mesmo melhor.

Voltando ao assunto, fiz o primeiro corte à tábua e este correu quase bem… Quase porque cometi um erro.

Como a tábua é enorme e o corte implica que uma boa parte da mesma fique suspensa coloquei a bancada do continente a suportar o peso. Mas quando cortei, a bancada não suportou a madeira cortada e esta caiu ao chão fazendo com que o corte não ficasse perfeito. Não dá para ver muito bem na imagem, mas como a bancada é uns 5 centímetros mais alta que a mesa, a tábua não ficou bem apoiada. Não se estragou, pois basta cortar novamente 2 centímetros e fica bem, mas o erro foi cometido.

Por tanto, outro problema a resolver. Preciso de apoios, não só para este projecto mas para os próximos. E que apoios? Cavaletes de madeira.

Ainda por cima, não uns cavaletes do AKI, não senhor. Vou fazer os cavaletes de acordo com o desenho do mestre Krenov.

E como já gastamos dinheiro na madeira, nada melhor que ir dar um passeio nesta maravilhosa terra onde as pessoas deitam tudo nos descampados e procurar uma palete!

E cá esta uma bela palete de madeira usada que foi deixada abandonada por uma alma caridosa. (E pensar que andam a vender estas paletes a 10 euros cá em Braga).

Toca a desmanchar a palete, com a ajuda de, mais uma vez, o Mestre You Tube.

E cá está a rica madeirinha, grátis, sem preço, de borla!

Ainda está suja, mas uma vez cortada vou limpá-la e lixá-la. Preferia aplainá-la, mas não tenho plaina (por enquanto).

Com o esquema retirado da net, cortei as tábuas à medida com o serrote de mão.

Marquei os desenhos e desta vez usei uma serra de tico-tico para fazer os contornos dos apoios.

Com o primeiro apoio cortado, foi bastante simples fazer os outros. Usei o primeiro como molde para os outros, garantindo desta maneira que ficam todos iguais.

A seguir foi só cortar todos os outros elementos à medida, usando o mesmo princípio. Em muito pouco tempo a madeira está pronta.

Amanhã é dia de desenhar e cortar as juntas na madeira. Depois lixar e finalmente montar. Deixo aqui só a imagem do artigo dos cavaletes. Está disponível aqui.

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2 respostas a Dia 1 da construção – 2ª parte

  1. Alexandre Oliveira diz:

    Amigo, você pode considerar “JIG” como um gabarito ou padrão.

    • Boa tarde Alexander. As minhas mais sinceras desculpas pelo atraso na resposta…

      Na minha humilde opinião, e avisando já que sou um simples Amador ou Aprendiz, eu acho que não. “Jig” é palavra Inglesa, mais precisamente Norte-Americana utilizada no sentido de um acessório, uma peça ou objecto feito de raiz ou adaptado para ajudar ou facilitar num determinado procedimento em trabalhos manuais, não só de madeira.

      Ou seja, um “Jig” será qualquer acessório que usamos para garantir, por exemplo, um furo sempre no mesmo local ou no mesmo ângulo; num acessário que utilizemos para garantir que ao afiar um formão a lâmina seja sempre afiada consistentemente no mesmo ângulo, etc.

      Um gabarito ou padrão será o que eles denominam um “Template”, ou seja, uma forma base ou uma forma de guia para um desenho que vá ser utilizado repetidas vezes. Por exemplo, pode construir guitarras e ter um gabarito específico se quiser cortar a madeira para uma acústica ou uma eléctrica…

      Espero ter ajudado na resposta.

      Um abraço;

      Ricardo

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