Pechinchas no AKI… que podem sair caras.

Ontem dei um pulinho ao AKI para comprar umas porcas e parafusos,e vejam lá o que encontrei:

Lá fiquei a olhar para ela, qual criança à frente duma loja de doces. A primeira coisa que pude verificar foi a péssima montagem. Não digo do equipamento em si, mas de como o pessoal do AKI o tinha montado para a exposição. Porcas e acessórios mal apertados (um dos manípulos que faz descer a broca na vertical ficou-me na mão), peças em falta, suja e relegada para um sítio um pouco isolado da loja.

Ok, sei que não será um produto dirigido ao consumidor normal, mas mesmo assim é preciso ter um pouco de cuidado e atenção aos produtos que queremos vender. Cada vez mais, as pessoas tentam fazer um pouco de tudo em sua casa em vez de contratar “profissionais”, e também cada vez mais as pessoas procuram passatempos alternativos que tenham a ver com a construção, montagem, etc.

Trabalhos em madeira, electrónica e trabalhos manuais são nos dias de hoje um escape aos problemas do dia a dia, e as lojas tipo AKI, MaxMat e Leroy Merlin aperceberam-se disso. Tentam captar a atenção de um público alvo específico, que lá fora se denominam como “DIY” ou “Do It Yourself”. E claro, pequenos profissionais, curiosos e mãozinhas. Mas sinceramente, acho que estão a falhar bastante.

Vou dar vários exemplos:

– Os preços variam bastante, ou seja, algumas coisas podem ser encontradas mais baratas nestes locais, mas outros estão ridiculamente inflacionados. Sei perfeitamente que existem vantagens e desvantagens em fazer compras nestes sítios, mas à exageros óbvios. Por um saquinho com 6 parafusos e roscas de calibre 6 e outro saquinho de anilhas do mesmo calibre paguei 3 euros. Não vou dizer que foi um roubo, mas se fosse a uma loja de ferragens teria pago pouco mais de 1,5 euros.

Sim eu sei, comprei porque quis…

– Tem muita variedade de produtos, mas a assistência que dão aos clientes é praticamente nula. Outras vezes, não é a mais correcta. Não sei se o defeito será da loja de Braga, mas quando vou tento levar o trabalho de casa feito. Pesquiso na net, pergunto em fóruns, tento falar com conhecidos que tenham conhecimentos na área. Já por duas vezes fui mal informado sobre produtos, um sobre madeira e outro sobre tintas e vernizes. Não deixei acontecer uma terceira.

– Também relacionado com o pessoal; tem um grupo aceitável de empregados, mas andam sempre de um lado para o outro. Tenho uma teoria em relação ás caixas de pagamento: Devem provocar alergias ou irritações nas partes privadas dos funcionários, pois nunca estão lá. Cada vez que lá vou, só está uma caixa aberta. No Natal, filas enormes, uma caixa aberta. No fim de ano, filas enormes, uma caixa aberta. Ontem, afluência normal para as 20H30, nenhuma caixa aberta… Lá estava uma miúda nas informações (que quando se lembram funciona como caixa) a atender um cliente. Estava a dar informações e ao mesmo tempo ao telefone. Juro que houve uma altura que chegou a estar com dois telefones, um em cada ouvido, e a falar com o cliente ao mesmo tempo. Entretanto via passar funcionários por ali, sem fazer nada (estariam a assegurar outras funções, sem dúvida). Mas o que mais me irritou foi quando chegou outra funcionária e o que devia ser uma responsável. Nem se incomodaram com os clientes à espera na caixa (entretanto estávamos 5 pessoas na fila), nem em ajudar a colega ao telefone.

Ficou lá a pastar. Sim pastar, porque duvido que ficar a olhar para os clientes parada encostada ao balcão seja uma função específica. Ao fim de 6 minutos e pouco, SÓ quando acabou os telefonemas e informou o cliente, é que a funcionária regressou à caixa.

Tudo isto para exemplificar outra falha do AKI:

– Muito pessoal mal pago e nada motivado. Não sei qual o salário de um trabalhador do AKI nem se existem regalias, mas está é a única explicação que encontro para as atitudes do pessoal que lá trabalha. Da maneira como o pais está com a economia de rastos, duvido que seja superior ao salário mínimo mais subsídio de alimentação, e com o desemprego existente, candidatos devem ser ás mãos cheias. Mas será uma razão válida para o tipo de atendimento? Acho que não. Sei que custa trabalhar um turno a aturar clientes chatos, melgas e muitas vezes mal educados, mas se não querem, eu estou à procura de emprego! Se vou gastar o MEU dinheiro, quero ser atendido com educação, cortesia e atempadamente. Se vou lá em vez do pequeno comercio, ao menos que seja bem atendido.

– Sem formação técnica. Tudo bem que não podem ter pessoas com muita experiência e muitos conhecimentos a aconselhar e vender com os ordenados que pagam, mas pelo amor dos Deuses, um pouco de formação e experiência no sector da loja em que trabalham era conveniente. Se procuro uns parafusos de pressão próprios para madeira, não me tentem impingir uns parafusos passantes que não me servem para o efeito. Se quero um verniz não pigmentado natural não me tentem enganar com um verniz com cor para realçar a cor da madeira só porque é o que tem à frente do nariz. PQP, sou um principiante, mas não sou parvo. Será que se estão a fazer de idiotas?

E agora vão perguntar-me porque raios vou ao AKI.

Primeiro, é o que está mais perto de casa. O Maxmat está longe para chuchu, e não temos Leroy Merlin.

Segundo, comparei preços entre o AKI o Maxmat e algumas lojas da cidade, e infelizmente as lojas tem preços superiores. Ainda por cima, as lojas apostam na maioria por equipamentos de marca, como Bosch, Black and Decker, ou mesmo Heinhell.

Terceiro, as lojas ditas tradicionais tem horários restritivos, o que impede de ir aos fins de semana ou ao fim da tarde.

Quarto, o pessoal que trabalha nas lojas da especialidade, pelo menos aqui no norte, tem o péssimo hábito de olhar para pessoas como eu de cima para baixo. Lá porque não somos profissionais ou porque não trabalhamos em carpintarias não quer dizer que dizer que possamos ser tratados com desdém. Se eu só quero 20 parafusos, não façam má cara! Não vou comprar uma caixa de 100 para um projecto muito específico só porque lhes dá trabalho. Se só tenho dinheiro para uma lixadora orbital baratinha, não me venham com tretas que é um investimento com futuro pagar o quadruplo por uma profissional. Não sou carpinteiro profissional nem tenho esse dinheiro. Apenas quero fazer as minhas peças como passatempo. Quando tiver dinheiro penso nisso.

Resumindo um post que já vai longo; tudo tem vantagens e desvantagens. Temos que fazer escolhas e aceitar fazer concessões. Pelo menos já perdi a esperança de encontrar um sítio 100%. Quanto ao AKI, vou voltar, claro está. Quando tiver mais uns trocos talvez mude, por enquanto não posso.

Mas uma coisa garanto, madeiras no AKI, nunca mais!

Post Scriptum:

Depois deste desabafo lá fui dar uma volta virtual pelos caminhos dos trabalhos amadores em madeira, e parece que este sentimento de frustração é comum a muitos de nós. Parece que lá na Yankeeland as coisas ainda chegam a ser um pouco piores. Mas encontrei o que poderiam ser dois exemplos a seguir. São lojas do género do AKI, mas com outra filosofia de vida. Acho que os senhores cá do sítio podiam ir lá fazer uns estágios para aprender qualquer coisas sobre “customer satisfaction” e não só.

As fotos e os vídeos de supostos empregados a dançar e a sorrir não chega.

 

Pini ACE Hardware

 

Woodcraft

Basta clicar nas fotografias para uma pequena visita. Estas duas são as mais recomendadas pelos Sites que mais visito.

Esta entrada foi publicada em AKI, Bancada de trabalho, Electricidade, Furadoura de coluna; suporte para, MAXMAT, Trabalhos em madeira. ligação permanente.

6 respostas a Pechinchas no AKI… que podem sair caras.

  1. Francisco Fraústo diz:

    Eu sei que este post já tem 1 ano, mas gostava de dizer o seguinte: aqui em Lisboa, tanto vou ao AKI, Leroy Merlin e ISIBuild. Os três têm um atendimento bastante bom, talvez com excepção do IZIBuild (não é que seja mau, mas é o pior dos três referidos). Eu tenho uns 3 AKI ao pé de mim e, não sei se é por causa de concorrência, tratam-nos muito bem. Mas eu sou adepto de refilarmos quando alguma coisa está mal. Nunca pedi o livro das reclamações, mas podemos refilar de tanta maneira: chamar o supervisor, email, telefone…
    Podemos e DEVEMOS de protestar!

    • Boa tarde Francisco.

      Obrigado por passar por cá e comentar🙂. Dou-lhe toda a razão, pois o protesto, desde que fundamentado e “educado” é a nossa melhor arma nos dias que correm. Como deve imaginar, este artigo foi escrito num momento de desabafo, mas as coisas pouco mudaram. Se olhar para trás e pensar friamente sobre o assunto, talvez devesse ter apresentado queixa ao Supervisor ou ao Director da loja, mas qual seria o efeito? Sou o primeiro a por-me no lugar das pessoas que lá trabalham, pois também eu me vejo forçado a aceitar trabalhos que não gosto, em áreas que nada tem a ver com aquilo que estudei e onde a remuneração é uma autêntica piada.

      O AKI de Braga é muito frequentado, pois acaba por ser o que tem mais variedade de productos. O atendimento não deve ser pêra doce… Mas como disse no artigo, não é desculpa para um mau atendimento. De lá para cá cumpri o que disse.

      Só vou ao AKI depois de pesquisar na Internet e ver que não existe noutro sítio ou que o preço é o que mais compensa. Entro e saio. Custou um bocado mas consegui “entrar” numa loja de ferragens cá em Braga onde vão os artesãos e agora sou excelentemente atendido. Para ter uma ideia, fui comprar uma goiva e fiquei lá uma hora na conversa com o dono da loja, um velhote simpático e atencioso que até me deu umas dicas sobre como afiar a goiva e os formões. Agora é a loja de eleição. Custa-me lá ir, mas faço o esforço.

      Também pude ir ao Leroy Merlin de Matosinhos (se não estou em erro) e o atendimento foi completamente diferente ao de Braga. Bastou um funcionário ver-me meio perdido e foi ter comigo saber se necessitava de ajuda. Isto foi antes do Natal, com a loja cheia. O rapaz estava a frequentar um curso técnico profissional para Carpinteiro de limpos e tinha sido escolhido para a função exactamente por causa de isso. Foi um atendimento exemplar, garanto-lhe.

      Para terminar Francisco, é apenas a minha modesta opinião. Conheço muita gente, incluindo profissionais que gostam muito do AKI. Respeito e fico genuinamente contente por eles se darem melhor que eu. Não quis com isto tentar retirar clientes ao AKI, pelo contrário, apenas desabafar um pouco.

      Um grande abraço e obrigado.

      • Francisco Fraústo diz:

        Olá Ricardo!

        Bons e maus funcionários há em todo o lado. Eu também atendo público, portanto eu sei o que é estar em ambos os lados. Aquilo que eu vejo aos funcionários de lojas como eu sendo cliente, é onde me inspiro para eu atender correctamente. Mas isto sou eu! E acredito que haja muitas pessoas que não querem saber disso para nada (são apenas eles e os narizes deles…). O que se passou consigo, decerto que foi apenas uma má experiência isolada. No AKI do Colombo, em Lisboa, apanhei um funcionário que me explicou, de alto a baixo, como haveria de trabalhar com a tupia e deu-me montes de ideias para trabalhar na guitarra que estou a fazer. Ele ate poderia ser má pessoa, mas foi bom funcionário. E é isso que nós temos de ‘exigir’ de um funcionário!

        Não pense que eu jsou um ‘refilão’. Antes pelo contrário.. Eu deixo passar muita coisa ao lado. Mas quando temos de chamar a atenção, seja a quem for, devemos fazê-lo de forma correcta e na hora!

        1 abraço!!

  2. Boa tarde Francisco.

    Não penso que seja refilão🙂, pelo contrário, é óptimo saber que existem pessoas assim. Sei que não vivemos num bom período da história, mas sempre existem pessoas com uma atitude diferente perante a vida, e tenho a certeza que são essas as pessoas, como o Francisco, que marcam a diferença, sempre pela positiva. Espero sinceramente que continue com força e vontade.

    Mesmo em situações menos boas devemos aproveitar ao máximo. Como diz, e bem, tudo pode ser uma experiência de aprendizagem. Onde os outros vêm problemas, devemos ver oportunidades. Espero que encontre bons funcionários, mas acima de tudo, que mantenha essa boa disposição e que no seu trabalho possa prestar um atendimento exemplar.

    E tenho a certeza que a guitarra vai ficar óptima. Estou muito curioso…

  3. paulo ribeiro diz:

    ola
    Também tive para comprar o berbequim de bancada. contudo ao falar com o vendedor e olhando para a caixa foi-me desaconselhado, mas como falta o $$ não pude ir para um einhell que custa mais do dobro. gostaria ter opniões sobre o berbequim de bancada, já tive uma serra circular e não gostei para cortar 5cm do aglomerado senti o queimado das escovas e erra 1200w com a ryobi o cheiro de queimado vinha do aglomerado.

    • Boa tarde Paulo.

      As marcas como Rioby e Heinhell possuem duas linhas; uma de entrada (Hobby) e outra intermédia(trabalhos leves). Infelizmente nem uma nem outra serão as mais adequadas para quem quer levar o trabalho mais a sério. Com a crise e de maneira a não perderem muita clientela baixaram bastante os padrões de qualidade e isso reflecte-se nos preços e no resultado do producto final.

      Como em tudo, se queremos qualidade temos que pagar por ela (mas sem exagerar!). Estas linhas podem fazer maravilhas se trabalharmos com calma e paciência. Em vez de corrermos a 200 andamos a 50😉 É isso que faço e não me posso queixar muito. Tenho trabalhado muito com máquinas de ambas as máquinas e desde que não puxe demasiado por elas, vão cumprindo. Pelo preço que paguei…

      Estou a acabar aquele que será o meu maior e (espero) melhor trabalho e estou a utilizar uma heinhell da linha azul, que é a mais barata, apesar de ter sido aconselhado a não me meter nisso. Mas sou teimoso e gosto de levar a minha avante! Quando terminar hei de colocar aqui e espero que sirva para provar que muitas vezes o mal está em nós, e não nas máquinas. Lá dizia o meu pai na brincadeira: “Se queres ser voar compra um avião e não uma bicicleta; voa na mesma mas a satisfação é outra…”.

      Pode sempre virar-se para as ferramentas manuais, essas são alimentadas a bifes e alheiras😉

      Um grande abraço e bons trabalhos.

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