Uma marreta simples

Comecei a fazer uma marreta em madeira. Uma coisa fácil de fazer (pensava eu). Aproveitei um dos troncos da lenha para a fazer. Tinha andado a pesquisar na net sobre preços, e como me pareciam um pouco abusivos, lá planeei uma bastante simples, mas que me desse para utilizar com os meus formões (já agora, adoraria que alguém me explica-se as diferenças entre formões e cinzeis, pois pelo que leio, os dois são bastante parecidos e ambos servem para trabalhar madeira).

Os únicos martelos que tenho são de metal, sendo um de carpinteiro e outro da loja dos trezentos, nenhum dos dois adequado para esse efeito. Portanto, lá comecei.

O tronco em bruto. Procurei um bastante direito e com ambos os cortes bem feitos, para me ajudar no trabalho. Desenhei o topo da marreta em cima, seguindo os anéis.

Para começar o trabalho usei uma broca chata de madeira, que serviu para retirar a maior parte da madeira que estava a mais, e definir a altura da parte do batente da marreta. Como não tenho uma maquina de furar de coluna, usei o berbequim.

Bom, foi uma trabalheira que nunca me passou pela cabeça. Várias vezes não consegui colocar a broca perfeitamente na vertical, o que fez que os buracos não ficassem bem feitos. Mas lá ficaram. Depois, com ajuda do formão retirei o excesso de madeira até ficar com o diâmetro e a profundidade pretendida.

Para retirar a madeira para o cabo resolvi utilizar outro método; com um formão grande (se calhar é um cinzel????), retirei a madeira à moda antiga, ou seja, uma mistura de força bruta e jeitinho.

Comecei por fazer uns cortes com o serrote e depois usei o cinzel como uma cunha, abrindo a madeira na vertical, seguindo os veios.

E assim fui fazendo nas calmas até ter retirado toda a madeira.

Bom, o resto foi o mais difícil. Usei o formão e o martelo e pouco a pouco fui talhando o cabo. Foi um trabalho de paciência, mas que me deu um enorme prazer. Demorou, mas serviu para ouvir música (Mozart) e pensar nas coisas da vida.

Fiz o mesmo para o batente, até que tomou uma forma primitiva. Finalmente, quando cheguei à forma pretendida, comecei a alisar com outro formão mais fino e finalmente com lixa, pois ainda não tenho grossas.

Bom, podia ter ficado pior, né?

E lá começou aquilo que julgo ser uma das partes mais aborrecidas este tipo de trabalho; lixar, lixar e lixar ainda mais…

Mas o resultado vale bem a pena!

A madeira, uma vez bem lixada fica com um toque… diferente, diria até, sensual. A madeira fica muito lisa, mas ao mesmo tempo com um toque que eu compararia à seda. Muito suave. E quando tocamos a madeira, fica quente, agradável ao toque. Não sei explicar melhor.

Depois de começar com uma lixa de 40, segui até uma 220, que era o máximo que tinha. Queria ter continuado até uma 320, mas não tinha. Demorei bastante, pois sou sincero, foi sempre à mão. Tenho uma lixadora automática “mouse”, mas a lixa fixa-se com um tipo de velcro, ou seja, só tenho lixa de 50.

Mas valeu a pena.

Realmente, as fotografias são uma miséria.

Agora estou na parte final, que é o acabamento. Tecnicamente já comecei com as lixas, mas refiro-me ao verniz.

Procurei bastante, e sei que numa ferramenta de trabalho não será o melhor acabamento, mas já que estou a fazer, quero que fique bonita também. Ainda pensei usar só óleo de linhaça, mas decidi que queria deixar a marreta com a sua cor natural.

Já apliquei duas capaz de verniz, mas vou até as quatro. Quando estiver pronta deixarei aqui umas fotos em condições.

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