Alain de Botton: A kinder, gentler philosophy of success

Gosto muito de passar parte do meu tempo a ler, estudar ou assistir a palestras através da Internet. É uma boa maneira de passar o tempo e de manter o cérebro ocupado, continuando a aprender coisas novas. Já à algum tempo que assisto regularmente a palestras das mais variadas temáticas, num site chamado “TED; Ideas worth spreading“. Tem coisas interessantes e outras, como é natural, que a mim não me dizem tanto. Mas no geral, é um site maravilhoso para passar uma tarde dedicada a aprendizagem, ao pensamento e mesmo à filosofia. E como é natural, aproveito esta nova fase da vida para ir passando por cá.

No entanto, no passado sábado, para minha surpresa, enquanto fazia zapping pela televisão, encontrei na SIC Radical uma destas palestras. Uau, para logo andarem a dizer que a SIC Radical é para putos adolescentes descerebrados.

E a palestra, era sobre um tema que me diz muito, pelo menos devido ao que tenho estado a passar: O sucesso e o insucesso, como me vejo a mim próprio e como os outros me vêem a mim, etc. E como se os Deuses soubessem que precisava uma luz sobre o assunto, lá surgiu esta pequena pérola. Vi, ouvi, reflecti e vim imediatamente à net procurar a palestra em questão.

Já a revi 4 vezes, e de tal maneira me ajuda a perspectivar a minha vida profissional, que decidi deixar aqui o link (pois sou demasiado burro para conseguir colocar o vídeo) e a transcrição em Português, para quem quiser ler com mais calma.

Visitem o site sem medo, pois apesar da palestra estar em Inglês, podem colocar legendas em Português.

Apesar de pouco acreditar no Deus do Catolicismo e dos Padres de hoje em dia, houve uma parte que me fez regredir aos tempos de criança, no Colégio São João de Brito, onde estudei. E até me deu um pouco de alívio…

Gosto particularmente de uma citação de Santo Agostinho em “A Cidade de Deus”, onde diz, “É pecado julgar qualquer homem pelo seu posto”. Em linguagem actual, isto significa que é pecado concluir se devemos falar com uma pessoa dependendo do seu cartão de apresentação. Não é o posto que deveria contar. E, de acordo com Santo Agostinho, apenas Deus pode colocar todos no seu devido lugar. E Ele vai fazê-lo no Dia do Julgamento Final com anjos e trombetas, e os céus vão abrir. Uma ideia louca, se forem seculares como eu. Mas há algo muito valioso nessa ideia, apesar de tudo.

A kinder, gentler philosophy of success

Normalmente, acontecem-me estas crises de carreira, muitas vezes, aliás, aos Domingos à noite, à medida que o Sol se põe, e o fosso entre aquilo que espero para mim, e a realidade da minha vida, divergem tão dolorosamente que normalmente acabo a chorar agarrado a uma almofada. Estou a falar disto, estou a falar disto porque acho que não é meramente um problema pessoal. Podem achar que estou errado. Mas acho que vivemos numa era em que as nossas vidas são regularmente marcadas por crises de carreira, por momentos em que aquilo que pensávamos saber, sobre as nossas vidas e carreiras, entra em contacto com a ameaçadora realidade.

Talvez seja mais fácil agora, mais do que nunca, viver bem. Talvez seja mais díficil do que antes, ficar calmo, estar livre de ansiedade relacionada com a carreira. Quero analisar agora, se possível, algumas das razões pelas quais podemos sentir ansiedade em relação às nossas carreiras. Porque poderemos ser vítimas destas crises de carreira, enquanto choramos nas nossas almofadas. Uma das razões por que podemos estar a sofrer é estarmos rodeados de snobes.

De certa forma, tenho más notícias, especialmente para quem tenha vindo a Oxford do estrangeiro. Há um problema sério com o snobismo Porque, por vezes, pessoas de fora do Reino Unido imaginam que o snobismo é um fenómeno distintamente britânico obcecado por mansões e títulos. A má notícia é que não é verdade. O snobismo é um fenómeno global. Somos uma organização global. É um fenómeno global. Existe. O que é um snobe? Um snobe é alguém que usa uma pequena parte de vocês para determinar de forma completa a pessoa que vocês são. Isso é snobismo.

E o tipo de snobismo dominante hoje em dia é snobismo relacionado com o emprego. Encontrámo-lo em poucos minutos numa festa, quando nos perguntam aquela famosa questão do século XXI, “O que fazes?”. E de acordo com a vossa resposta à questão, as pessoas ou ficam incrivelmente encantadas em ver-vos, ou olham para o relógio e inventam desculpas. (Risos)

O oposto de um snobe é a vossa mãe. (Risos) Não necessariamente a vossa mãe, ou a minha. Mas, por assim dizer, a mãe ideal. Alguém que não quer saber das nossas conquistas. Mas, infelizmente, a maioria das pessoas não são nossas mães. A maioria das pessoas relacionam directamente o tempo, e, se quiserem, amor, amor não romântico, embora também possa acontecer, mas amor em geral, respeito, que estão dispostos a conceder-nos, isso será definido rigorosamente pela nossa posição na hierarquia social.

E isso é uma grande razão pela qual nos importamos tanto com as nossas carreiras. E, na verdade, nos importamos tanto com bens materiais. É-nos dito muitas vezes que vivemos numa era muito materialista, que somos todos pessoas gananciosas. Eu não acredito que sejamos tão materialistas. Acho que vivemos numa sociedade que associou certas recompensas emocionais à aquisição de bens materiais. Não queremos os bens materiais. Queremos, sim, as recompensas. E isso é uma nova forma de olharmos para artigos de luxo. A próxima vez que virem alguém a conduzir um Ferrari não pensem, “Aqui está alguém ganancioso”. Pensem, “Aqui está alguém incrivelmente vulnerável e a necessitar de amor”. Por outras palavras… (Risos) …sentir compaixão, em vez de desprezo.

Há outras razões. (Risos) Há outras razões pelas quais é mais difícil, hoje mais do que antes, sentirmo-nos calmos. Uma delas, e é um paradoxo porque está ligada a algo que é bem positivo, é aquilo que desejamos para as nossas carreiras. Nunca tivemos expectativas tão altas relacionadas com o que os seres humanos podem atingir nas suas vidas. Dizem-nos, muita gente, que todos podemos conseguir tudo. Livramo-nos do sistema de castas. Estamos agora num sistema em que qualquer um pode alcançar qualquer posição que deseje. É uma belíssima ideia. Juntamente com isso há um espírito de igualdade. Basicamente, somos todos iguais. Não estão definidas de forma rigorosa quaisquer hierarquias.

Há um grande problema nisto. E esse problema é a inveja. Inveja, é um verdadeiro tabu falar em inveja, mas se há uma emoção dominante na sociedade moderna, é a inveja. E estão ligada ao espírito de igualdade. Eu explico. Acho que seria pouco comum alguém aqui, ou alguém que nos esteja a ver, ter inveja da Rainha de Inglaterra. Mesmo sendo muito mais rica que qualquer de vocês. E tendo uma casa muito grande. E a razão pela qual não a invejamos é porque ela é muito estranha. Ela é demasiado estranha. Não nos conseguimos relacionar com ela. Fala de forma cómica. Vem de um lugar bizarro. Então não nos relacionamos com ela. E se não conseguimos criar uma relação, não sentimos inveja.

Quanto mais próximas estiverem 2 pessoas, na idade, na origem, no processo de identificação, maior é o risco de inveja. E esta é a razão pela qual nenhum de vocês deve ir a uma festa de ex-alunos. Porque não há maior ponto de referência que as pessoas com quem andámos na escola. Mas o problema, de forma geral, da sociedade moderna, é que transforma o mundo inteiro numa escola. Todos usam calças de ganga, todos são iguais. E, no entanto, não o são. Há este espírito de igualdade, combinada com profundas diferenças. O que permite que haja, ou que crie situações de stress.

É tão pouco provável que vocês possam tornar-se tão ricos e famosos como o Bill Gates, como era, no século XVII, tornarem-se membros da aristocracia Francesa. Mas acontece que não é isso que sentimos. Fazem-nos sentir, as revistas e outros media, que se tivermos energia, algumas ideias brilhantes sobre tecnologia, e uma garagem, podemos criar algo grandioso. (Risos) E há consequências deste problema nas próprias livrarias. Quando vão a uma grande livraria e olham para as secções de auto-ajuda, como eu, por vezes, faço, se analisarem os livros de auto-ajuda produzidos hoje em dia, existem essencialmente 2 tipos. O primeiro diz-vos, “Vão conseguir! Vão chegar lá! Tudo é possível!” E o outro tipo diz-vos como lidar com aquilo a que chamamos educadamente de “baixa auto-estima”, ou, de forma pouco educada, “sentirem-se mal com vocês próprios”.

Há uma verdadeira correlação, entre uma sociedade que diz às pessoas que podem conseguir tudo, e a existência de baixa auto-estima. Este é outro exemplo de como algo bastante positivo pode ter um efeito pernicioso. Há outra razão pela qual podemos sentir mais ansiedade, com as nossas carreiras, com o nosso estatuto no mundo, mais do que nunca. E está, novamente, ligado a algo positivo. E esse algo positivo chama-se meritocracia.

Toda a gente, todos os políticos à esquerda e à direita, concordam que a meritocracia é algo muito bom, e que devemos todos tentar tornar as nossas sociedades muito meritocráticas. Por outras palavras, o que é uma sociedade meritocrática? Uma sociedade meritocrática é uma sociedade em que se tiverem talento, energia e habilidade, chegarão ao topo. Nada vos poderá parar. É uma bela ideia. O problema é que se acreditarem mesmo numa sociedade em que aqueles que merecem chegar ao topo, chegam ao topo, também, implicitamente, e de uma forma bem mais infame, acreditam numa sociedade em que aqueles que merecem bater no fundo também batem no fundo e por lá ficam. Por outras palavras, a vossa posição na vida deixa de parecer acidental, mas sim merecida. E isso faz com que o fracasso pareça muito mais esmagador.

Na Idade Média, em Inglaterra, quando se via uma pessoa muito pobre, essa pessoas era descrita como uma “desafortunada”. Literalmente, alguém que não tinha sido abençoado pela fortuna, um desafortunado. Hoje em dia, especialmente nos Estados Unidos, alguém que esteja no fundo da sociedade, poderá, cruelmente, ser descrito como um “perdedor”. E há uma grande diferença entre um desafortunado e um perdedor. E isso demonstra 400 anos de evolução da sociedade, e da nossa crença em quem é responsável pelas nossas vidas. Já não são os deuses, somos nós. Nós estamos no comando.

Isso é entusiasmante se tiverem sucesso, mas é esmagador se não tiverem. No pior dos casos, de acordo com a análise de sociólogos como Émile Durkheim, leva a maiores taxas de suicídio. Há mais suicídios nos países desenvolvidos e individualistas que em qualquer outra parte do mundo. E isso acontece também porque as pessoas encaram o que lhes acontece de forma extremamente pessoal. São responsáveis pelo seu sucesso. Mas também pelo seu fracasso.

Haverá algum alívio de algumas das pressões que estive a delinear? Acho que sim. Quero abordar algumas delas. Vejamos a meritocracia. Esta ideia de que todos merecem ter aquilo que têm. Acho que é uma ideia louca, completamente louca. Eu apoio qualquer político de esquerda ou de direita, com uma ideia minimamente meritocrática. Eu sou um meritocrata. Mas penso que é demente acreditar que alguma vez façamos uma sociedade genuinamente meritocrática. É um sonho impossível.

A ideia de que faremos uma sociedade onde todos são literalmente classificados, os bons no topo, e os maus no fundo, e feito exactamente como deve ser, é impossível. Há demasiados factores aleatórios. Acidentes, acidentes de nascimento, coisas que caem nas cabeças das pessoas, doenças, etc. Nunca as iremos classificar. Nunca se poderão classificar como deve ser.

Gosto particularmente de uma citação de Santo Agostinho em “A Cidade de Deus”, onde diz, “É pecado julgar qualquer homem pelo seu posto”. Em linguagem actual, isto significa que é pecado concluir se devemos falar com uma pessoa dependendo do seu cartão de apresentação. Não é o posto que deveria contar. E, de acordo com Santo Agostinho, apenas Deus pode colocar todos no seu devido lugar. E Ele vai fazê-lo no Dia do Julgamento Final com anjos e trombetas, e os ceús vão abrir. Uma ideia louca, se forem seculares como eu. Mas há algo muito valioso nessa ideia, apesar de tudo.

Por outras palavras, aguentem os cavalos quando forem julgar alguém. Não sabem necessariamente o valor que alguém tem. Essa é uma parte que não é conhecida. E não nos deveríamos comportar como se fosse. Há outra fonte de alívio e consolo para tudo isto. Quando pensamos em falhar na vida, quando pensamos no fracasso, uma das razões por que tememos falhar não é apenas a perda de rendimento ou de estatuto. O que tememos é ser julgados e ridicularizados pelos outros. E esse medo existe.

Sabem, o grande ridicularizador hoje em dia, é o jornal. E se abrirem o jornal em qualquer dia da semana, está cheio de pessoas que estragaram as suas vidas. Dormiram com a pessoa errada. Tomaram a substância errada. Aprovaram a lei errada. Seja lá o que for. E estão expostos ao ridículo. Por outras palavras, fracassaram. E são descritos como “perdedores”. Há alguma alternativa a tudo isto? Penso que a tradição Ocidental nos mostra uma alternativa gloriosa. Que é a tragédia.

Arte trágica, tal como desenvolvida pelos teatros da Grécia antiga, no século V a. C., era essencialmente uma forma de arte dedicada a mostrar como as pessoas fracassam. E mostrando-lhes, também, alguma compaixão. Que a vida comum não lhes iria necessariamente mostrar. Lembro-me que, há uns anos atrás, pensava em tudo isto. E fui ver o “The Sunday Sport”, um tablóide que não recomendo a ninguém que comece a ler, se não estiverem já familiarizados com ele. Eu fui falar com eles sobre certas grandes tragédias da arte Ocidental. E queria ver como eles conseguiriam apanhar os traços gerais de algumas histórias se fossem peças jornalísticas que lhes chegassem à secretária num Sábado à tarde.

Então falei-lhes de Otelo. Nunca ouviram falar dele mas ficaram fascinados. (Risos) E pedi-lhes que escrevessem o título para a história de Otelo. Eles poriam “Emigrante Louco e Apaixonado Mata Filha de Senador” espalhada na manchete. Falei-lhes da história de Madame Bovary. Uma vez mais, um livro que ficaram encantados em descobrir. E escreveram “Adúltera Louca Por Compras Engole Arsénio Após Fraude Bancária” (Risos) E o meu preferido. Eles têm mesmo uma certa genialidade própria. O meu preferido é “Édipo Rei”, de Sófocles. “Sexo Com Mãe Foi Cegante” (Risos) (Aplausos)

De certa forma, numa das pontas do espectro da compaixão, têm os tablóides. No outro extremo do espectro, temos a tragédia e a arte trágica. E acho que estou a argumentar em favor de aprendermos um pouco sobre o que está a acontecer à arte trágica. Seria uma loucura chamar Hamlet de perdedor. Não é um perdedor, embora tenha perdido. E penso que essa é a mensagem que a tragédia nos passa, e a razão pela qual é tão importante, acho.

Outro aspecto da sociedade moderna, e a razão pela qual causa ansiedade, é que não temos nada no seu centro que seja não-humano. Somos a primeira sociedade a viver num mundo em que não adoramos nada além de nós mesmos. Achamos que somos os maiores. E devemos achá-lo. Colocámos pessoas na Lua. Fizemos todo o tipo de coisas extraordinárias. Então tendemos a adorar-nos.

Os nossos heróis são heróis humanos. É uma situação nova. A maioria das outras sociedades teve, no seu centro, a adoração de algo transcendente. Um deus, um espírito, uma força natural, o universo. O que quer que seja, é outra coisa que é adorada. Perdemos um pouco o hábito de o fazer. E penso que isso nos faz sentir atraídos pela natureza. Não para bem da nossa saúde, embora muitas vezes seja colocado assim. Mas porque é um escape do formigueiro humano. É um escape da nossa própria competição, e dos nosso próprios dramas. E é por isso que gostamos de olhar para glaciares e oceanos, e contemplar a Terra de fora do seu perímetro, etc. Gostamos de nos sentir em contacto com algo não-humano. E isso é profundamente importante para nós.

Acho que o que tenho estado a falar sobre sucesso e fracasso. E uma das coisas interessantes do sucesso é que nós achamos que sabemos o que significa. E se eu vos disser que há alguém por trás do ecrã que é muito muito bem sucedido, surgem-nos logo certas ideias. Iriam pensar que essa pessoa teria feito grandes fortunas, conseguido renome numa certa área. A minha teoria de sucesso, e eu sou alguém muito interessado no sucesso. Quero muito ter sucesso. Estou sempre a pensar, “Como posso ter mais sucesso?” Mas à medida que envelheço, surgem nuances na minha definição da palavra “sucesso”.

Tive uma intuição acerca do sucesso. Não se pode ter sucesso em tudo. Ouvimos falar muito de equilíbrio trabalho-vida. Absurdo. Não é possível ter tudo. Não é. Por isso, qualquer visão de sucesso tem que admitir aquilo em que perde, onde está o elemento de perda. E acredito que qualquer vida sábia aceitará, como eu disse, que haverá um elemento em que não teremos sucesso.

E quando falamos de vida bem sucedida, muitas vezes, as nossas ideias do que significa viver com sucesso, não são nossas. São absorvidos de outras pessoas. Se forem homens, será do vosso pai. E se forem mulheres, da vossa mãe. A psicanálise tem abordado este tema ao longo de cerca de 80 anos. Ninguém está a ouvir com atenção. Mas acredito muito que isso é verdade.

Também absorvemos mensagens de tudo, da televisão à publicidade, ao marketing, etc. São forças muito poderosas que definem o que queremos e como nos vemos. Quando nos dizem que bancário é uma profissão de respeito muitos de nós querem trabalhar na banca. Quando a banca deixar de ser respeitável, perdemos interesse nela. Somo altamente vulneráveis à sugestão.

Então eu defendo que não devemos desistir das nossas ideias de sucesso. Mas devemos certificar-nos que são mesmo nossas. Devemos focar-nos nas nossas ideias. E devemos ter certeza que são nossas, que somos os verdadeiros autores das nossas ambições. Porque já é mau que chegue não conseguirem o que querem. Mas pior ainda é ter uma ideia daquilo que queremos, e descobrirem no fim da viagem, que não era, na verdade, aquilo que queríamos.

Por isso, vou acabar por aqui. Mas aquilo que quero sublinhar é, absolutamente, sucesso, sim. Mas aceitemos a estranheza de algumas das nossas ideias. Examinemos as nossas noções de sucesso. Certifiquemo-nos que as nossas ideias de sucesso são mesmo nossas. Muito obrigado. (Aplausos)

Chris Anderson: Foi fascinante. Como é que concilia a ideia de alguém ser… o ser mau pensar que alguém é um perdedor, com a ideia que muitas pessoas gostam, ter controlo sobre a própria vida. E uma sociedade que encoraja isso talvez tenha que ter alguns vencedores e perdedores.

Alain de Botton: Sim. Penso que é apenas a aleatoriedade do processo de vencer e perder que quis sublinhar. Porque a ênfase, hoje em dia, é sempre na justeza de tudo. E os políticos falam sempre sobre justiça. Eu acredito muito na justiça. Acho apenas que é impossível. Por isso, todos devemos fazer o possível, devemos fazer o possível para a conseguir. Mas, no fim, devemos todos lembrar-nos sempre que a pessoa à nossa frente, o que quer que lhe tenha acontecido, terá sempre uma grande componente de acaso. E é para isso que estou a tentar criar espaço. Porque, de outra forma, poderia tornar-se claustrofóbico.

Chris Anderson: Ou seja, acredita que é possível combinar a sua filosofia de trabalho bondosa e delicada com uma economia de sucesso? Ou acha que não é possível? Mas não importa muito que estejamos a colocar muita ênfase nisso?

Alain de Botton: Existe a terrível ideia de que assustar as pessoas é a melhor forma de as motivar no trabalho. E que quanto mais cruel o ambiente, mais as pessoas vão estar à altura do desafio. Devem pensar, quem quereriam ter como pai ideal? E o vosso pai ideal é alguém que é duro mas gentil. E isso é uma linha muito difícil de fazer. Precisamos de pais, de figurais paternais exemplares na sociedade, evitando os dois extremos. Ou seja, o autoritário, disciplinador, por um lado. E por outro, o relaxado, sem regras.”

Chris Anderson: Alain de Botton.

Retirado do site: TED; Ideas worth spreading

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